Baixo Clero da Esquerda

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Os ideólogos da esquerda brasileira precisam urgentemente de uma reciclagem. Acompanhando o debate político, a gente percebe que o discurso dessa gente é o mesmo dos anos 50/60, impregnado de intolerância, agressividade e, muitas vezes, de uma dose cavalar de cinismo.

São velhos chavões decorados e repetidos à exaustão como um mantra. “Teses e teorias absurdas”, sem o menor fundamento, com o deliberado propósito de atropelar a verdade dos fatos.

Boa parte desses teóricos, muitos oriundos da academia, doutores, pós-doutores, que nunca leram ou assimilaram nenhuma teoria econômica, se julgam os únicos capazes de fazer a leitura correta dos fatos e ensinam aos seus seguidores, com ar de autoridade no assunto, os caminhos para o desenvolvimento do Brasil, sempre espelhados em modelos que nunca deram certo.

Não que a esquerda não tenha quadros de excelência, mentes brilhantes, capazes de pensar o desenvolvimento do país. Cientistas políticos, economistas e historiadores respeitados dentro e fora do mundo acadêmico. Mas esses, ao que parece, não se sentem à vontade para defender condenados por corrupção.

Essa tarefa inglória fica mesmo para o baixo clero da esquerda que, na sua miopia, advoga que, para alcançar o sonhado desenvolvimento é preciso esmagar os opositores “golpistas e entreguistas” e outras sandices do gênero.

Por razões óbvias, a vítima preferida dessa gente é o juiz Sérgio Moro que, segundo as teorias conspiratórias, seria uma agente do imperialismo americano. Que condenou Lula “sem provas” atendendo a uma “exigência da Casa Branca.” Quanta inspiração!

Os autores dessa teorias engraçadas certamente fariam sucesso como autores de ficção política, pela mente criativa capaz de inventar estórias instigantes, mas são um fracasso na análise da realidade.

Curiosamente, pregam o ódio e se dizem perseguidos pelos adversários. Essa postura odienta e contraditória fica explícita nas agressões verbais e físicas contra os que não seguem sua cartilha. São virulentos e ácidos nas críticas aos adversários e cheios de melindres quanto criticados.

Não respeitam a liberdade de imprensa e de expressão, defendem o discurso único, e costumam apresentar como exemplo de imprensa livre e independente a revista CARTA/CAPITAL, do senhor Mino Carta, que pratica um jornalismo engajado.

Jornalistas de outros veículos que cobrem os escândalos protagonizados pela escória política nacional são vistos como inimigos e, por isso mesmo, são as maiores vítimas da intolerância e da violência da esquerda raivosa.

Os ideólogos da esquerda tentam ilaquear a boa fé do povo brasileiro procurando fixar no imaginário popular a falsa ideia de que só os “patriotas do PT” são punidos pela Justiça. O Mensalão e o Petrolão, segundo eles, não passam de uma invenção da direita, da imprensa burguesa e do Judiciário golpista.

Mas esse discurso, desprovido de fundamentos, não convence mais a ninguém. O brasileiro sabe que a Operação Lava Jato veio para acabar com a rapinagem do dinheiro público. Que Lula e a quase totalidade dos dirigentes do PT foram condenados e presos por corrupção.

O STF já deixou claro que não adotará a política dos dois pesos e duas medidas. Os senadores Aécio Neves e José Serra, o ex-governador Geraldo Alkmim, de São Paulo, Eduardo Azeredo, de Minas Gerais, Beto Richa, do Paraná, entre outros tucanos de grande plumagem, já estão na alça de mira da justiça.

Ademais, muitos políticos de outros partidos, como o PMDB, PP e outros menores, que participaram da rapinagem aos cofres públicos foram presos, como o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-governador Sérgio Cabral. O brasileiro acompanha atento o desenrolar dos acontecimentos e sabe discernir o certo do errado.

Não se sabe onde estavam os cientistas políticos da esquerda que nada fizeram para evitar que o PT, social-democrata tanto quanto o PSDB, desse uma guinada de 380 graus à direita, abandonasse o seu ideário e adotasse os costumes e as e as práticas da velha política. Certamente estavam pendurados em alguma sinecura e, convenientemente, se mantiveram em silêncio para não perder o jabá.

Ao abraçar velhas raposas como Sarney, Collor, Renan, Maluf, Eduardo Campos, Temer, em nome da “governabilidade”, o PT renunciou aos seus princípios fundantes e partir dai se envolveu em escândalos e crises que fizeram desertar vários de seus fundadores, entre os quais Plínio de Arruda Sampaio, Hélio Bicudo, Cristóvão Buarque, Heloísa Helena, Fernando Gabeira, Chico Alencar.

Hoje, não passa de bobagem falar em diferenças ideológicas entre PT, PP, PMDB e outras legendas de perfil direitista. Todas, indistintamente, são formadas por políticos fisiologistas e estão enroladas na Lava Jato.

Ao ascender ao poder, Lula se tornou um pequeno burguês, assimilando o que de pior tem a elite com que conviveu nos bons tempos e deu no que deu.

O povo sabe que é tudo farinha do mesmo saco, faziam parte da mesma quadrilha desbaratada pela Polícia e pela Justiça Federal. Governavam o Brasil juntos e juntos foram desmascarados.

Daí o fiasco das manifestações de apoio ao ex-presidente, que só contou mesmo com gente dos sindicatos, centrais de trabalhadores e outras entidades controladas pelos estafetas do PT.

A prisão de Lula não provocou a comoção nacional que a esquerda esperava. Apenas fez chorar muitas carpideiras.

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