Petista defende aliança com a burguesia

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Os petistas à moda antiga, fiéis ao ideário do partido e a sua carta programa, não admitiam alianças com nenhum partido, nem mesmo com os comunistas do PCdoB, com os quais viviam às turras.

Eram radicais na defesa de seus princípios e não admitiam, em hipótese alguma, aproximação com a direita que, por sua vez, via em Lula um Fidel Castro à brasileira.

O empresariado tinha pavor do “sapo barbudo”, alcunha dada a Lula por Brizola, que viria a ser o seu vice nas eleições de 1998.

Isolado e sofrendo a influência de um grupo de teóricos radicais que pensavam num modelo econômico de base socialista, o PT metia medo na classe média e nos setores produtivos.

Por conta disso, Lula sentiu o peso da rejeição e fracassou nas três primeiras tentativas de conquistar a presidência da República (1989, contra Collor e em 1994 e 1998, contra FHC.

Na primeira eleição presidencial de Lula, o seu partido aliou-se ao PSB e PCdoB, na Frente Brasil Popular, levando a eleição para o segundo turno.

O candidato petista amarelou no debate contra Collor na TV Globo e terminou perdendo a eleição para o Caçador de Marajás, no segundo turno.

A partir daí, Lula foi se afastando das alas mais radicais de seu partido e se aproximando de lideranças mais pragmáticas que defendiam a aproximação com outras forças políticas.

O líder operário deu uma guinada à direita, estreitando os laços com políticos conservadores, antes vistos como ladrões e lesa-pátria, e procurou ganhar a confiança do empresariado com um discurso mais liberal.

Na companhia de Antônio Palloci, Aloisio Mercadante, José Dirceu, seus mais próximos assessores, passou a frequentar entidades como a Febraban, Fiesp, Bovespa, Fierj e até a Escola Superior de Guerra.

Tudo isso no esforço para apagar a imagem de radical e defensor da intervenção do estado na economia, uma das bandeiras do seu partido.

Foi mais longe. Escolheu para vice na sua chapa o empresário e senador José Alencar (PL). Aí já era outro Lula. O Lulinha paz e amor, que venceu com facilidade o “simpático” tucano José Serra, nas eleições de 2002.

Após a vitória, o PT começou a articular uma grande frente de apoio ao novo governo, começando por José Sarney, Itamar Franco, Temer.

Queria assegurar a governabilidade e achava que só fazendo um governo de coalizão, envolvendo as mais diversas correntes políticas, conseguiria governar.

As negociações eram feitas no varejo, sempre na base do “toma lá, da cá”. E isso foi a sua perdição. Lula transformou seu governo numa ação entre amigos.

Figuras como Paulo Maluf, Fernando Collor de Melo, Renam Calheiros, Jáder Barbalho, Delfim Neto, Eduardo Cunha, José Sarney e Temer, a nata da escória política nacional, eram os interlocutores preferidos do governo petista.

Daí para o Mensalão e o Petrolão, os dois maiores escândalos de corrupção da República, foi um passo.

Ao final do seu segundo mandato, Lula não tinha um nome para a sua sucessão. José Dirceu, que estava sendo preparado para ser o seu sucessor, estava enrolado no Mensalão, inelegível.

Foi ai que o ex-presidente, apostando na sua grande liderança e capacidade de transferir votos, escolheu um poste para disputar as eleições de 2006: Dilma Van Rousseff.

Para garantir que nada desse errado, o PT fez as alianças mais espúrias de que se tem notícia.

Esse exagerado pragmatismo fez o PT naufragar num mar de lama como aquele a que Getúlio Vargas se referiu na célebre carta testamento. Parece mesmo sina de governos populistas.

Mas, os petistas, ao que parece, não aprenderam a lição. Ao tempo em que falam de golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff, aliam-se com “golpistas” de olhos nas próximas eleições.

No Piauí, por exemplo, o senador Ciro Nogueira (PP), aliado de Wellington Dias, é uma santo para os petistas.

O vereador de Teresina Edilberto Borges, o Dudu do PT, chegou a produzir um vídeo em defesa do aliado, no qual diz que é ingratidão criticar o senador do PP, que, segundo ele, trouxe muito dinheiro para o Piauí.

No Rio de janeiro, pasmem, os petistas estão costurando acordo com o DEM, pelo qual eles apoiariam o candidato desse partido ao governo do Rio, Eduardo Paes, em troca do apoio dos democratas ao candidato que o PT indicar à presidência da República.

Mas, isso não é nada. Olha só o que propõe o presidente do PT carioca, Washington Quaguá, ex-prefeito de Maricá. Ele sugere que o PT seja extinto e em seu lugar seja criado um partido que “talvez nasça mais forte que o PT, e que seja base de alianças com o stablishment político-burguês, como Getúlio fez com o PSD”.

E a esquerda, que engrossou o coro do “golpe” e abraçou o “Lula Livre”, o que acha dessas ideias petistas?

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