Princesa de Dubai está desaparecida

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DUBAI – Princesas em busca da liberdade também existem fora dos roteiros de ficção. Em março, Latifa — filha do emir de Dubai e primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos, xeque Mohammed Rashid al-Maktoum — embarcou no iate do ex-espião francês Jean-Pierre Jaubert numa tentativa de, segundo um vídeo publicado no Youtube por ela mesma, “reinvindicar minha vida e minha liberdade”.

Mas, assim como aconteceu com a irmã Shamsa em 2000, a fuga não deu certo. Detida a 80 quilômetros da Índia, Sheikha foi obrigada a voltar para casa, nos Emirados Árabes Unidos — e desde então não há notícias da princesa, como denunciou nesta semana a organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW).

De acordo com a HRW, a falta de informações sobre o estado da jovem de 32 anos por parte das autoridades a fez ser qualificada como vítima de “desaparecimento forçado”.
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Embora tenha sido relatado por fontes próximas ao governo de Dubai que Latifa estava “sã e salva com sua família”, amigos da princesa contaram à Reuters que não a veem ou conversam com ela há mais de dois meses.

— Os homens embarcaram no nosso barco, apontaram as armas para ela, forçaram-na a ficar no chão e amarraram suas mãos mãos atrás das costas — contou a finlandesa Tina Jauhiainen, que estava no iate no momento da captura de Latifa.

— Eles gritavam em inglês: “Quem é Latifa?”

Jaubert também deu detalhes da abordagem das autoridades dos Emirados Árabes Unidos ao iate, que contou com dois aviões, cinco embarcações de guerra e um helicóptero.

— Fomos sequestrados, algemados e tivemos a visão vendada. Eu não fazia ideia de onde estávamos.

Sobre o que o motivou a ajudar Latifa, explica:

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— Ela me contou que era abusada e torturada pelo pai e este abuso, que eu já presenciei, não pode ser tolerado.

Jaubert levaria Latifa aos Estados Unidos, onde ela pretendia pedir asilo político.
O documento de identidade da princesa Sheikha Latifa – Reprodução

— As autoridades dos Emirados Árabes Unidos devem revelar imediatamente o paradeiro de xeica Latifa, confirmar seu status e permitir seu contato com o mundo exterior — disse a diretora da HRW no Oriente Médio, Sarah Leah Whitson. — Se ela estiver detida, precisa receber os direitos que todos os detidos devem ter, inclusive ser levada a julgamento perante um juiz independente.

Enquanto o mistério ronda o paradeiro de Latifa, Jauhiainen e Jaubert receberam permissão das autoridades dos Emirados Árabes Unidos para retornarem a seus respectivos países.

No vídeo em que anunciou sua fuga, aparentemente gravado por ela mesma, Sheikha aparece de camiseta e sem enfeites, com o cabelo preso.

— Estou fazendo este vídeo porque pode ser o último — ela diz.

Conta então que é filha do emir de Dubai e que sua mãe é argelina, e que tinha tentado fugir antes, quando nem tinha acesso à internet.

— Logo estarei partindo e não sei o que vai acontecer, mas tenho 99% de confiança de que vai funcionar. Se não funcionar, esse vídeo pode me ajudar porque o meu pai só se preocupa com sua reputação — continua Sheikha. — Meu pai é a pessoa mais malévola que jamais conheci. Ele é puro mal. Não há nada de bom nele.

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Antes de chegar à Human Rights Watch, a causa de Latifa foi abraçada por um grupo britânico chamado Detidos em Dubai, que afirma assistir vítimas de injustiças nos Emirados Árabes.

Fontes do palácio do emir de Dubai dizem que trata-se de uma “questão doméstica” que foi explorada pelo Qatar, vizinho e rival dos Emirados na Península Arábica.

— É uma questão doméstica que foi transformada numa novela e depois virou um esquema para manchar a reputação de Dubai e do xeque Mohammed — disse a fonte, citada pelo site “Middle East Eye”.

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