Quem quer o apoio de Temer ?

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Quando vi o presidente Temer declarar publicamente que pode desistir da candidatura e votar em Geraldo Alckmin, lembrei da campanha do mestre Wall Ferraz a governador do Piauí em 1990, com o apoio declarado do então governador Alberto Silva. Foi um desastre.

O ex-prefeito de Teresina, que chegou a ser considerado o melhor prefeito do Brasil em sua terceira gestão e gozava de grande popularidade em Teresina, arcou com o ônus da impopularidade do governador.

Com cinco meses de salário do funcionalismo atrasados e em rota de colisão com o magistério estadual que, na sua primeira gestão fora seu grande aliado, Alberto não tinha cacife para eleger ninguém.

A avaliação do governo estadual era péssima por diversas razões e o apoio de Alberto Silva ao professor Wall Ferraz, na verdade, ajudou foi o candidato da oposição, senador Freitas Neto (PFL).

O ex-prefeito fez uma campanha franciscana, sem ajuda nenhuma do governo para armar palanque no interior do Estado. O mestre Renato Bacellar, que coordenava o escritório político de Wall, junto com ex-prefeito Chico Gerardo, são testemunhas dessa história.

Os cofres estavam vazios e a oposição bombardeava o Palácio de Karnak e seu candidato com denúncias de corrupção. No crepúsculo da administração de Alberto, o pessoal do PFL, ainda muito forte no interior, jogava pesado contra o governo.

Os veículos de comunicação, municiados pela oposição, mostravam cenas de gente do governo carregando caixas de dinheiro da Secretaria de Fazenda e passavam para a opinião pública a informação de que o dinheiro era para ser gasto na campanha.

Tudo mentira. Fui assessor de imprensa na campanha de Wall, viajei com ele de Luiz Correira a Cristalândia e testemunhei as dificuldades que ele enfrentava para fazer comícios pelo interior.

Se houve rapinagem de recursos públicos naquela ocasião, com certeza não foi para custear as despesas de campanha de Wall, que pagou caro por ter aceito o apoio de Alberto Silva.

Agora, vejo o presidente Michel Temer, com uma popularidade quase a zero e acuado por denúncias de corrupção, procurando um candidato de centro para apoiar e até agora ninguém se apresentou para receber esse apoio.

Temer insinuou-se para o lado de Geraldo Alckmin, mas o tucano, espertamente, esquivou-se. Sabe que se aceitar esse apoio se tornará uma carta fora do baralho.

Temer sabe que não tem voto para encarar uma campanha presidencial e por isso não será candidato. E o candidato que aceitá-lo no palanque pagará caro por esse erro.

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