Correios: sem privatização, mas com demissões

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Por MARTHA IMENES

Rio – O lucro de R$ 667 milhões no ano passado, ante déficit de R$ 1,48 bilhão no ano anterior, parece ter afastado o fantasma da privatização dos Correios, mas não o das demissões voluntárias de funcionários e do fechamento de agências. Nesta quarta-feira, ao ser questionado em audiência na Câmara dos Deputados, o ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações, Gilberto Kassab, descartou a venda da companhia. “Esse balanço (com lucro) e o apoio dessa Casa nos permitiram tirar da pauta essa questão (privatização). Não se fala mais nisso”, afirmou Kassab.

Entretanto, o Plano de Desligamento Voluntário (PDV), em andamento desde o ano passado, não está descartado. Ou seja, apesar de sair do vermelho, a empresa estatal continuará o que o ministro chamou de “esforço de gestão”. Agora, afirmou Kassab, o empenho passa a ser melhorar a eficiência da empresa.

Questionado pelo DIA se a proposta de desligamento de empregados estaria mantida mesmo com o lucro, os Correios informaram que “mesmo com o resultado positivo do balanço de 2017, os estudos que fazem parte do projeto de remodelagem de canais de atendimento dos Correios continuam”. “Nesses estudos, ainda em curso, estão incluídos as unidades que poderão ter suas atividades encerradas e o número de empregados que possam ser desligados”, informou por meio de nota.

Na audiência, o ministro fez uma breve memória do debate sobre o futuro dos Correios e lembrou que a proposta de privatização era legítima diante de prejuízos que chegaram a superar R$2,5 bilhões (balanço de 2015).

“Se tivéssemos entregando um balanço negativo, não há candidato a presidente que não assumiria o compromisso de privatizar ou pelo menos estudar a privatização”, avaliou. “Isso é uma demonstração que efetivamente é possível ter boa gestão no setor público”, disse Kassab, que voltou a comemorar o resultado de mais de R$ 600 milhões.

Balaço será votado nesta quinta

Nesta quinta, o balanço, que já passou no Conselho Fiscal, será avaliado pelo Conselho de Administração da empresa. E será contestado pelo representante dos funcionários no colegiado. Marcos César Silva, promete votar contra a aprovação das contas de 2017.

“O resultado positivo que estará estampado no balanço decorre basicamente da ‘desprovisionamento’ de verba relacionada ao pós-emprego dos trabalhadores”, disse. Segundo ele, o montante retirado da provisão (R$ 3 bilhões) reverteu artificialmente o déficit, que chegava a R$ 2 bilhões até novembro do ano passado.

Para Silva, o resultado é “forjado” e decorre da perda de direitos dos empregados. Silva se refere à decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que instituiu mudanças na Postal Saúde, criada em 2014 para gerir diretamente o convênio médico de funcionários e dependentes.

O Dia/RJ

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