A farsa de Wellington

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Seguem as especulações sobre a vaga de vice na chapa de Wellington Dias e a questão da coligação proporcional, que a direção regional do PT já descartou, por entender que o chapão é prejudicial ao partido.

Levando em conta o interesse do PT em eleger um número expressivo de deputados estaduais, não há dúvida de que o deputado federal Assis Carvalho, presidente da sigla, tem razão.

O chapão beneficiará apenas as pequenas legendas da base do governo que, sozinhas, não garantirão o retorno de seus deputados e, principalmente, ao MDB que, sem a coligação proporcional, perderá muitas cadeiras na Alepi.

Os petistas que defendem a chapa pura estão convictos de que a eleição de Wellington Dias são favas contadas e que o PT fará a maior bancada, livrando o futuro governo de ficar tão dependente do MDB e de outras siglas, como ficou na atual gestão.

A posição da direção regional do PT não agrada a nenhum dos aliados, mas não é o bastante para provocar uma debandada na base do governo, como espera a oposição.

Até porque a maior parte dessa turma da base não sabe fazer campanha sem o “oxílio” do governo.

Na oposição, a vida de candidato é difícil, na base do feijão com arroz, e eles estão acostumados é com filé, por isso não vão deixar a mesa do Índio.

Há, porém, o risco de alguns candidatos a deputados estadual do MDB fazerem corpo mole na campanha ou até mesmo apoiarem, discretamente, um candidato de oposição, por debaixo do pano, como se diz.

Assis Carvalho sabe disso, mas faz pouco caso. Ou, como muitos acreditam, faz o jogo do chefe, fingindo que está trombando com ele nesse imbróglio do chapão, quando na verdade faz exatamente o que o amigo pediu.

Enquanto isso, Wellington Dias cozinha o galo, ganhando tempo e vai enrolando os aliados até às vésperas da convenção, quando anunciará que, infelizmente, não conseguiu demover os seus companheiros da ideia da chapa pura do PT.

Vai haver um reboliço danado, muita revolta contra os petistas, mas o governador não pode ser culpado pelo erro e intolerância de seu colegas de partido. Fez o que pode para impor o chapão, mas não deu, fazer o que? Essa é a estratégia dos governistas.

O MDB, que é um partido de resultados, embora insatisfeito, não vai espirrar da base do governo, afinal não se abandona um candidato que tem reeleição garantida, apesar dos pesares. Essa deve ser a avaliação de Wellington Dias e Assis Carvalho.

A oposição pensa diferente e aguarda defecções na base aliada do governo para fortalecer sua campanha, que até agora não empolgou o eleitorado, pelo que se pode observar no resultado das pesquisas de intenção de voto.

Na verdade, a única perda considerável para o governo é a deserção do senador Elmano Férrer (Podemos) que, se confirmar sua candidatura ao governo, pode tirar votos de Wellington Dias, mas não é uma grande ameaça às pretensões do governador.

Ameaça mesmo seria uma candidatura do ex-senador João Vicente Claudino (PTB), mas esse só faz ameaça mesmo. Deixa todo mundo alvoroçado com essa estória de candidatura e depois desaparece, silenciosamente.

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