Jogadores do Sporting são agredidos por torcedores e estudam pedir rescisão

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O clima instável das últimas semanas no Sporting se tornou insustentável. Na tarde desta terça-feira, enquanto a equipe se preparava para a decisão da Taça de Portugal, contra o Aves, marcada para o domingo, cerca de 50 torcedores invadiram o centro de treinamento do clube e agrediram jogadores e funcionários. Até o técnico Jorge Jesus acabou sofrendo com a violência dos invasores e foi atacado com uma cabeçada.

De acordo com apuração do UOL Esporte, grande parte dos jogadores estuda pedir rescisão unilateral de contrato como repúdio ao trauma vivido na atividade desta terça. Receosos, atletas querem deixar Lisboa imediatamente e não participar da final do jogo decisivo de domingo contra o Desportivo Aves.

Durante o ato hostil dos 50 torcedores, que invadiram encapuzados o CT do Sporting, o meia brasileiro Bruno César realizava tratamento para uma lesão. O volante brasileiro Wendel é outro atleta do país que atualmente pertence ao elenco do clube português, que terminou em terceiro na liga local.

Segundo o estafe de Bruno, em contato com a reportagem, “ele está fisicamente bem, mas psicologicamente, arrebentado”. O empresário de Wendel, Frederico Moraes, ainda não conseguiu falar com o ex-Fluminense.

Quem mais sofreu com a violência dos torcedores, no entanto, foi atacante Bas Dost, segundo informações da emissora CMTV. O goleador holandês acabou espancado por um grupo nas pernas e na cabeça; o centroavante terminou a confusão com um corte chamativo na cabeça.

Outra emissora de televisão, a TVI, afirma que um fisioterapeuta do clube foi esfaqueado. A imprensa portuguesa escreve ainda que os torcedores invadiram o local armados com barras de ferro, cintos e tochas. O Sporting ainda não se pronunciou sobre o assunto.

A TVI ainda escancara ainda mais a crise entre direção e jogadores, que começou após críticas públicas do presidente Bruno de Carvalho. No momento em que o mandatário entrou nos vestiários, tosos os atletas se retiraram imediatamente. Não há qualquer contato entre atletas e dirigente.

Até o momento, a Guarda Nacional Republicana conseguiu deter 15 dos agressores desta tarde. Os atletas, após as agressões, entraram em contato com o Sindicato dos Atletas, que culpou a diretoria do clube por alimentar o clima hostil.

“Os jogadores ligaram-me em desespero a perguntar o que podia ter sido feito. Face a esta insegurança, a vontade dos jogadores é ir embora, sair deste filme, não há condições psicológicas. Estamos a analisar a situação do ponto de vista jurídico e foi isso que transmitimos aos jogadores. O Sindicato está ao lado dos jogadores e vai tomar medidas legais”, disse Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores, à CMTV.

“O Sporting alimentou este clima ao tratar publicamente assuntos que deviam ter sido tratados internamente. Quem semeia ventos colhe tempestades, e é isso que está a acontecer com o Sporting. Lamento que tenham sido jogadores e treinadores a serem confrontados com isto”, acrescentou.

Conforme informação de pessoas ligadas ao elenco do Sporting, os jogadores prestaram depoimento na GNR (Guarda Nacional Republicana). Dividiram-se em blocos de dez atletas, cada, para denunciarem o episódio de mais cedo.

A crise no Sporting começou depois de ataque público partido da própria diretoria. Depois da derrota para o Atlético de Madri pela Liga Europa, ainda no mês de abril, o presidente Bruno de Carvalho chamou os jogadores de “mimados” e afastou 19 atletas durante algumas semanas. Os atletas responderam e cortaram qualquer tipo de relação com o mandatário.

 

Fonte: UOL Esporte

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