Será falta do que fazer?

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A deputada Flora Isabel (PT) aprovou na Alepi projeto de lei concedendo o Título de Cidadão Piauiense ao carnavalesco paraense Milton Cunha.

Na justificativa de sua proposição, a parlamentar petista lembra, um tanto tardiamente, que o paraense divulgou o Parque Serra da Capivara para o Brasil e o mundo, no carnaval carioca de 1996.

Convém lembrar que as escolas de samba do Rio e São Paulo não fazem essa divulgação gratuitamente. É um trabalho, via de regra, pago pelos estados homenageados em seus samba-enredo.

Foi uma forma que as escolas encontraram para bancar seus desfiles nesses tempos de crise e do Petrolão, escândalo financeiro que quase leva à falência a Petrobras, principal financiadora do carnaval carioca.

Em todo caso, ainda que o nobre compositor tenha cantado os encantos da Serra da Capivara, isso não justifica a homenagem que deve ser prestada somente a pessoas que, nascidas em outros estados ou país, tenham, desinteressadamente, prestado relevantes e gratuitos serviços ao Piauí e o seu povo, o que, convenhamos, não é o caso.

Alguém, no entanto, pode argumentar que a homenagem é justa porque o senhor Milton Cunha divulgou o nosso estado e a Alepi já homenageou gente que não sabe nem a posição do Piauí no mapa do Brasil.

É verdade isso, mas tanto num caso como no outro os nobres deputados passaram por cima da lei que instituiu essa honraria.

Até parece que a principal tarefa dos deputados estaduais e vereadores de Teresina é conceder títulos de cidadania, pois é grande o número de homenageados a cada legislatura.

Pior é que nossos representantes na Assembleia Legislativa e na Câmara Municipal de Teresina concedem esses títulos a qualquer um, até mesmo a pessoas cujo passado desautorizam a homenagem.

Entre essas até pessoas condenadas pela Justiça e com os direitos políticos suspensos por conta de crimes de improbidade administrativa.

Está mais que na hora, pois, de nossos parlamentares se cercarem de mais cuidados na hora de escolher um candidato a essas homenagens, pois, do jeito que a coisa é feita hoje, chegará o tempo em que os homens de bem vão recusá-las.

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