O Piauí da fantasia e o real

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Sem nenhum favor, podemos afirmar que o governador Wellington Dias (PT) foi muito feliz na escolha de alguns nomes do seu staff administrativo, razão pela qual o seu governo escapou do naufrágio logo nos primeiros meses.

Entre os auxiliares de maior visibilidade na atual gestão petista, pontificam os nomes de Franzé Silva, ex-secretário de Administração e Previdência, deputado Fábio Novo, ex-secretário de Cultura e Rafael Fonteles, secretário de Fazenda.

Mas, sem sombra de dúvidas, o que mais contribuiu para a aprovação do governo Wellington Dias não foi o trabalho realmente notável dos nomes acima citados, mas a política de comunicação implantada pela Ccom.

A máquina de propaganda comandada por João Rodrigues Filho, que não é da área, mas entende do ofício mais do que muitos profissionais de imprensa e publicidade, conseguiu silenciar a oposição, com o apoio obsequioso de quase todas as grandes e pequenas empresas de comunicação do estado, com exceção, salvo engano, do jornal Diário do Povo.

O governo petista, na medida em que conseguiu estreitar os espaços dos opositores na mídia amestrada, amplificou o discurso de otimismo de Wellington Dias, levado a todos os rincões do estado através de um aparato de comunicação que engloba seis canais de televisão, dois jornais impressos, dezenas de portais, blogs e uma rede de rádio. Todos desempenhando o papel de estafetas do governo petista.

Não há um dia sequer em que o piauiense não seja bombardeado com peças publicitárias que vendem a ilusão de que é feliz quem vive aqui. E tome anúncio de obras de infraestrutura em todo o estado, de investimentos em educação, saúde, segurança pública, estradas e segurança hídrica.

Curiosamente, no entanto, a propaganda oficial arrola como sendo do governo obras de caráter nitidamente privado, como é o caso dos investimentos em energia renováveis, a solar e a eólica, que tem crescido no Piauí, menos pela ação do governo do que pelas vantajosas condições naturais que o estado oferece para a geração desse tipo de energia.

Os piauienses mais incautos, que residem em localidades isoladas do estado, acreditam nessa lorota, embora vivam à luz de lamparina, mesmo morando nas proximidades dos grandes parques de energia solar e eólica, cuja produção é toda destinada ao mercado externo.

Quanto às obras públicas propriamente ditas, principalmente aquelas feitas com empréstimos liberados pela Caixa Econômica Federal, a mídia não mostra, não se sabe por qual razão, mas o Tribunal de Contas da União, o MPF e a própria Caixa querem saber onde elas foram executadas e o volume de recursos investidos em cada uma.

Pois é, temos dois Piauí, o real e o da propaganda oficial. No primeiro, a criminalidade é grande, a violência toma conta das ruas, o cidadão não pode sair de casa à noite com medo de assaltos. Não há a tal sensação de segurança.

No interior do estado a situação é ainda mais grave. Segurança pública é pura ficção. Em razão disso boa parte dos municípios não contam mais com agências bancárias que foram fechadas depois de seguidos assaltos e arrombamentos.

A saúde estadual, apesar da conversa de investimentos vultosos em vários municípios, é um caos. O que se observa é que o melhor programa de saúde do governo estadual continua sendo a “ambulanciaterapia”, que congestiona os hospitais de Teresina, principalmente o Hospital de Urgência Zenon Rocha, o HUT.

Na realidade, os hospitais e unidades de saúde do interior do estado não apresentam nenhuma resolutividade, por falta de estrutura, de equipamentos, médicos e até remédios. Centenas de piauienses continuam morrendo à míngua, por falta de atendimento de saúde.

Na Educação, a situação é a mesma. Raras são as escolas que apresentam um bom rendimento nos rankings do Ministério da Educação. O município de Cocal da Estação é um dos poucos que tem bom desempenho, mas isso graças a abnegados professores que participaram de um projeto desenvolvido pela UFPI naquele município.

Viajar pelas estradas do Piauí é uma aventura arriscadíssima. As rodovias estaduais, em péssimo estado de conservação, cheias de buracos e com sinalização precária, não oferecem segurança aos condutores e passageiros.

Com relação à decantada segurança hídrica, milhares de famílias da região do semiárido continuam bebendo lama em vez de água. Muitas são as cidades, a exemplo de Pio IX, na região Leste do Estado, em que a população, para não morrer de sede, compra carradas de água transportada por carros-pipa.

O ano inteiro a venda de água é um dos comércios mais rentáveis naquela região. Quem não tem dinheiro para comprar o precioso líquido tem que se contentar em consumir água salobra ou barrenta, a principal causa de muitas doenças.

Esta é a triste realidade do Piauí

 

 

Crédito da foto: portaloitomeia.com

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