Vá em paz, amigo, que Deus o receba em sua morada.

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A vida tem dessas coisas. De repente, no final da tarde, uma surpresa dolorida. Ao acessar o face tomei conhecimento da morte do jornalista e poeta Herculano Moraes, um amigo, um irmão, um companheiro de muitas jornadas.

Quando ele adoeceu, liguei para o Dr. Itamar, um amigo comum, que me tranquilizou dizendo que não era nada grave e que o quadro do poeta era estável. Logo depois fui ao Itacor visitá-lo e o encontrei bem, conversando, descontraído, já com alta marcada. Conversamos bastante e marcamos um encontro para depois de sua alta.

Hoje pela manhã, quando fui procurá-lo na sede da APL, fui informado de que Herculano, sentindo-se ainda fragilizado, guardava repouso em casa até se recuperar plenamente. Fiquei apreensivo, mas nunca imaginei que a situação do meu amigo fosse tão grave.

Herculano Morais, jornalista e intelectual de projeção, membro da Academia Piauiense de Letras, era uma pessoa humilde, prestativa e amiga. Não tinha aquela empáfia de pseudos intelectuais que se julgam mais iguais que os outros. Era um homem culto, com várias obras publicadas, e um grande jornalista comprometido com a verdade dos fatos.

Minha aproximação do poeta se deu 1970, quando ele assumiu a direção do jornal Correio do Povo, da família Nogueira. Ele era o editor e me convidou para ser secretário de redação. Aceitei. Foi a minha primeira escola de jornalismo. Tempos de aprendizagem. Aprendi muito com ele, inclusive como driblar a censura, que na época era terrível.

Anos depois, ele assumiria a Secretaria de Comunicação do Estado e eu era editor do Jornal do Professor, órgão de comunicação da APEP, hoje SINTE. Estávamos, pois, de lados opostos. O governo estadual naquela época estava em guerra com o magistério, mas Herculano sabia separar as coisas e continuou muito amigo de minha família, especialmente de meu pai, um dos principais líderes do movimento dos professores.

Nos últimos anos estivemos mais próximos. Participamos de vários eventos culturais juntos. Herculano Morais ajudou muito o Sindjor-PI durante a minha gestão como presidente daquela entidade.

O seu apoio foi fundamental para a realização do IX Encontro Estadual dos Jornalistas do Piauí, realizado no prédio do SESC. Ajudou na organização do evento e participou como palestrante. O jornalismo e o movimento cultural perdem um grande incentivador.

Fiquei muito triste com a partida do poeta. A última entrevista que ele concedeu foi para o Retranca, órgão de comunicação do Sindjor-PI, feita por mim e publicada sob o título “Herculano Moraes, o operário da cultura”.

Herculano Moraes trabalhou e foi editor em vários jornais de Teresina, líder estudantil nos anos 70, foi eleito vereador pelo movimento estudantil secundarista. Secretário de Comunicação, fez uma das melhores gestões daquela Pasta.

Jornalista, poeta, cronista e ensaísta deixou várias obras: Murmúrio ao Ao Vento; Vozes sem Eco; Meus Poemas Teus, Território Bendito; Seca, Enchente, Solidão; Pregão; Legendas; Oferendas; Fronteira de Liberdade; Nova Literatura Piauiense; e Visão Histórica da Literatura Piauiense.

Sua participação no movimento cultural do Piauí foi importantíssima e culminou na criação de várias academias de letras no estado, ajudando a levar a cultura e o conhecimento a diversos municípios do Piauí.

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