O isolamento do PT

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Com Lula preso e inelegível e com o Judiciário negando todos os recursos apresentados por sua defesa, os dirigentes do PT sabem o quanto é improvável que ele venha a ser candidato a presidente.

As chances do TSE permitir o registro da candidatura de Lula é remotíssima, para não dizer impossível.

Mas o próprio Lula insiste em manter o seu nome na disputa e desautoriza qualquer iniciativa de seus seguidores no sentido de buscar uma candidatura alternativa.

A solidão do enclausuramento talvez tenha afetado os neurônios do ex-presidente, a ponto de comprometer o seu raciocínio e sua lucidez. Só isso pode explicar o obstinado desejo de ser candidato.

Lula está enquadrado na Lei da Ficha Limpa e não há como o Tribunal Superior Eleitoral deferir o pedido de registro de sua candidatura, viável apenas na cabeça do ex-presidente e de meia dúzia de seus aliados.

Há quem acredite, no entanto, que a cúpula do PT mantém essa posição apenas com medo de que o lulismo caia no esquecimento no curso da campanha eleitoral e isso prejudique o desempenho do partido nas eleições proporcionais e para os governos estaduais.

Então, para os petistas, é de fundamental importância manter acesa a chama do lulismo para garantir com isso a eleição de uma bancada forte na Câmara, no Senado e nas assembleias legislativas.

Essa estratégia, contudo, pode não ter o resultado esperado e levar o PT ao isolamento e ao fracasso nas urnas, pois a esquerda começa a se impacientar com essa “candidatura impossível de Lula” que está inviabilizando a formação de uma frente para enfrentar a direita e a extrema direita, representada por Bolsonaro, bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto.

O PDT e o PSB, aliados do PT, já se rebelaram. O primeiro já tem candidato próprio, o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, que avança sobre as bases petistas no Nordeste, onde tende a crescer.

Em declarações à imprensa, o candidato do PDT disse que uma aliança com o PT é “possível e até desejável, mas improvável”, porque já está em campanha e não abre mão de sua candidatura.

Aliás, Ciro Gomes não acredita no apoio dos petistas ao seu nome e mantém conversas mais à direita que a esquerda. Está conversando com o PP e com o PRP, de onde deve sair o seu candidato a vice.

Os nomes mais cotados para vice na chapa do ex-governador cearense são os empresário Josué Gomes (PRP), filho do ex-senador José de Alencar, que foi vice de Lula, e Benjamin Steinbruch, dono do grupo Vicunha e da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

As articulações para viabilizar a aliança PDT-PP, conforme a imprensa, estão cargo do próprio presidenciável do PDT e do senador Ciro Nogueira. Foram os dois que convenceram o vice-presidente da Federação das Indústrias (FIEP) a assinar a ficha de filiação ao PP, já com a conversa de que ele seria o candidato a vice de Ciro Gomes.

O PSB, outro aliado do PT nas últimas eleições, costura um acordo com o PSDB paulista pelo qual os tucanos apoiariam a releição do atual governador de São Paulo, Márcio França, em troca do apoio dos socialistas à candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin a presidente.

A aliança entre PSB e PSDB, porém, encontra resistências entre os socialistas históricos, que preferem uma aliança com o PT, e em setores do PSDB que não querem abrir mão da candidatura do prefeito João Dṍria ao governo de São Paulo. Mas, as conversas continuam, com aval do atual e do ex-governador paulista.

O PT, na obstinada defesa da impossível candidatura do ex-presidente Lula, despertou um pouco tarde para a necessidade de negociar com outras forças políticas a definição de um nome capaz de unir a esquerda e, com isso, perdeu tempo e terreno, correndo o risco de ter como aliado apenas o PCdoB.

Veja no vídeo abaixo a opinião de Josias de Sousa sobre a candidatura de Lula e suas regalias de ex-presidente.

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