O exemplo de Átila

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Dr. Pessoa pode repetir a façanha de Mão Santa?

Ouvi de um experiente analista político a afirmação de que o governador Wellington Dias (PT) está brincando com os piauienses.

Não sei bem ao que ele se referia especificamente, se às manobras políticas do inquilino do Palácio de Karnak ou seu descaso com o funcionalismo público, até hoje sem assistência de saúde.

Mas, isso não é brincadeira, é deboche!

A empáfia de Sua Excelência, que considera favas contadas a sua reeleição e esnoba adversários e até aliados, pode alterar o humor do eleitorado e o enredo da sucessão estadual.

Em 1994, Mão Santa deixou a prefeitura de Parnaíba para disputar o governo do Estado contra Átila Lira, candidato governista apoiado por Freitas Neto e Hugo Napoleão.

Ninguém apostava um vintém na candidatura do parnaibano. Todas as pesquisas de intenção de voto apontavam a vitória do candidato governista no primeiro turno. Seria um passeio a eleição de Átila Lira.

O vereador Olésio Coutinho, convidado a ser o vice de Mão Santa, por não acreditar nas chances do parnaibano, chegou a desdenhar do convite.

O prefeito Wall Ferraz, que também não acreditava, indicou para vice o sindicalista Osmar Araújo, ex-dirigente da Fetag. Se tivesse certeza da vitória, o vice seria outro.

O candidato da coligação “Vontade do Povo” (PFL, PPR, PP, PTB e PL), Átila Lira estava convicto da vitória ainda no primeiro turno, por uma maioria de 200 mil votos ou mais.

Tinha ao seu lado 22 dos 30 deputados estaduais, 8 dos 10 deputados federais do Piauí, o apoio do governo do Estado, dos senadores Hugo Napoleão e Freitas Neto, e o apoio de 144 dos 148 prefeitos.

Um dos esquemas políticos mais poderosos já formado no Estado.

Determinado, no entanto, Mão Santa pegou a estrada e começou a percorrer quase todos os municípios piauienses, enquanto seu opositor se iludia com a campanha do já ganhou.

Fazendo um corpo a corpo com os eleitores, almoçando em mercados públicos, falando a linguagem do povo, denunciando os malfeitos do governo e arrebatando apoio por onde passava.

Com um discurso messiânico e o bordão “com a ajuda de Deus e o seu voto, serei o próximo governador”, o candidato do PMDB levou a eleição para o segundo turno e venceu o pleito contra a expectativa de todos, até de muitos dos seus aliados.

Hoje, a confiar nos resultados das pesquisas, Wellington Dias (PT) será reeleito para um quarto mandato, sem maiores dificuldades, mas deve se espelhar no exemplo de Átila e tirar o salto alto, se não quiser tropeçar.

Não se sabe ainda até que ponto o calote do governo nos hospitais e clínicas conveniadas com o IASPI e o PLAMTA, podem interferir no desempenho eleitoral do governador.

A escolha de Regina Sousa para vice terá influência negativa ou positiva? Só no curso da campanha teremos essa resposta.

Dr. Pessoa, agora candidato a governador, teria condições de repetir a proeza de Mão Santa?Não se sabe ainda, mas não é prudente descartar essa hipótese.

A jactância e o excesso de confiança dos petistas poderá resultar em decepção para Sua Excelência que parece estar tão convicto da vitória quanto Átila em 1994.

No entanto, está provado que não se ganha eleição por antecipação.

 

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