Esquerda em crise

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A esquerda brasileira entrou num processo autofágico. É cobra engolindo cobra. Ciro Gomes, sentindo-se isolado pelos petistas, já anda falando em “rasteiras e punhadas pelas costas”, depois que Lula, da prisão, fez uma articulação para impedir o apoio do PSB à sua candidatura.

Para atingir o seu objetivo, o ex-presidente orientou o Diretório Nacional do PT a apoiar a releição do governador Paulo Câmara (PSB) em detrimento da candidatura da petista Marília Arrais, neta do ex-governador Miguel Arrais.

O acordo entre petistas e socialistas inclui também o sacrifício da candidatura de Márcio Lacerda (PSB) ao governo de Minas Gerais.

O Diretório Nacional do PSB anulou a convenção realizada no último sábado que homologou a candidatura do socialista Márcio Lacerda ao governo do Estado de Minas Gerais.

O candidato socialista foi orientado pela cúpula de seu partido a disputar o Senado na chapa de Fernando Pimentel, o candidato de Lula ao governo de Minas Gerais. Lacerda não aceitou e disse que vai manter sua candidatura.

A negociação entre petistas e socialistas causou um alvoroço danado nas bases do PT e do PSB e pode levar ao naufrágio as candidaturas de Paulo Câmara, em Pernambuco, e Fernando Pimentel, em Minas Gerais.

Insistindo na improvável candidatura de Lula, o PT só conta com o apoio do PCdoB, isso se o ex-presidente conseguir registrar sua candidatura. Manuela D’ Ávila, neste caso, desiste da candidatura para ser vice de Lula.

A direção nacional do PSB, que já estava praticamente fechada com Ciro Gomes, anunciou agora que ficará neutra na disputa presidencial. O pragmatismo de suas lideranças falou mais alto.

Com Lula fora do pleito, o resultado da eleição é imprevisível, embora Jair Bolsonaro continue no topo das pesquisas nesse cenário.

Uma coisa, no entanto, é indiscutível, as articulações petistas em torno da candidatura do ex-presidente dividiram e fragilizaram a esquerda, que está cada vez mais distante do poder.

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