Chega de caciques na política

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Governador Paulo Hartung, do Espírito Santo, defende renovação na política nacional

A campanha eleitoral em curso não conduzirá o país a uma renovação de suas lideranças, já que o arremedo de reforma política feito pelo Congresso Nacional fortaleceu o sistema vigente ao colocar nas mãos dos caciques partidários os recursos destinados ao financiamento de campanha, através do Fundo Partidário e do Fundão.

As engrenagens partidárias controladas por grupos familiares em todo o país é que determinam, previamente, como será feita a repartição desses recursos com os candidatos e, sem sombra de dúvidas, os mais aquinhoados serão sempre aqueles de maior potencial eleitoral, na avaliação dos caciques, que via de regra são parentes ou amigos mais próximos.

Aqui no Piauí, desde priscas eras, remontando aos tempos de Né de Sousa Martins, o Visconde da Parnaíba, que comandou a mais longeva oligarquia do Estado, não se houve falar em renovação na política local. São sempre as mesmas famílias que dão as cartas na política estadual.

E quando alguém de fora dessas famílias tradicionais consegue romper o status quo e chegar ao poder, acontece o que aconteceu com o jovem bancário Wellington Dias (PT), que adotou as mesmas práticas e os mesmos costumes da velha política e aboletou os familiares no governo, a começar pela mulher, criando uma nova oligarquia.

Na Assembleia Legislativa, sai o pai, entra a mãe, o filho, o irmão. A renovação é apenas nominal. E um ou dois do estamento popular, que conseguem se eleger, viram logo lacaios do governo de plantão e tudo continua como dantes no quartel de Abrantes.

A propósito, o economista e ex-ministro Delfim Neto, em artigo publicado na revista Rumos (edição de janeiro/fevereiro/2018, pag. 05), falando sobre renovação política, diz que “isso não acontece porque há um corpo duro (talvez 10%) de “dinastias regionais” que à custa de muitos “serviços” se perpetuam nos municípios e nos estados e, por meio deles, na União, pelo rígido controle de partidos políticos absolutamente infensos à transparência e ao respeito às regras democráticas internas.”

O governador do Espírito Santo,Paulo Hartung, que não disputa a reeleição, é outro insatisfeito com o sistema político vigente no país. Em entrevista à Folha de São Paulo (edição de 19/08, pag. A10 e A11), eis o que ele diz acerca do tema:

“Qando você olha a estrutura partidária, fundo partidário, tempo de televisão, essa arquitetura é para manter o status quo. Quando você pega uma pessoa da sociedade que se anima para participar, o olho brilha, como eu vi no Luciano, ou no Joaquim, Bernadinho.
Mas, quando se depara com a estrutura política do país, da marcha ré. A estrutura política do país é avessa a renovação, é pró-continuísmo. Não sei qual será a resultante disso. Uma coisa o status quo conseguiu: fez com que muita gente nova que pensava entrar na política recuasse.”

O Brasil precisa romper com esse círculo vicioso. Precisa urgentemente de uma reforma política de verdade que sepulte para sempre as velhas práticas e possibilite o surgimento de novas lideranças. Temos que acabar com o vergonhoso comércio do voto, com o fisiologismo e o carreirismo na política nacional.

Tudo isso é possível, mas para que aconteça é necessário que, já nesta eleição, o eleitor brasileiro deixe de votar em políticos ficha suja.

Só assim garantiremos a saudável alternância no poder, pondo fim às novas e velhas oligarquias que tratam a coisa pública como patrimônio familiar.

É preciso acabar com os políticos profissionais e arejar o Parlamento e o Executivo, votando em pessoas comprometidas com o desenvolvimento do país e com o bem estar da população. Chega de bandidos no poder.

Obs: Alguns amigos acharam muito agressivo o primeiro título deste artigo e sugeriram a mudança, afinal nem todos são caciques e nem todo cacique é bandido. Concordei, eis a razão da mudança.

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