Jornalismo capacho

0
131
Governador Wellington Dias (PT).

Que a grande mídia piauiense é toda ela comprometida com o governante de plantão, disso não se tem dúvida, mas nesta campanha eleitoral a subserviência atingiu níveis vergonhosos.

A sabatina (?) com o governador Wellington Dias (PT) na televisão, nos canais 5 e 10, as duas que vi, mais pareceram um palanque de campanha de sua Excelência, tratado com exagerada deferência por seus entrevistadores.

Patética a cena em que os jornalistas da Bancada Piauí, à exceção de Pedro Alcântara e Lucas Ribeiro, ficaram de olhos vidrados no encantador de serpentes, como se estivessem diante de um semideus da mitologia grega.

Em nenhum momento, no canal 5 ou canal 10, Sua Excelência foi questionada pelos entrevistadores sobre os graves e múltiplos problemas registrados na administração estadual. As perguntas e as resposta foram as mesmas nos dois canais.

Não se falou nos supostos desvios de recursos oriundos de empréstimos feitos junto à Caixa Econômica Federal, denunciados pelo Tribunal de Contas da União e pelo MPF; a crise no IASP/SAÚDE e no PLAMTA; e a apropriação indébita das parcelas de empréstimos consignados descontado dos contracheques dos servidores e não repassados aos bancos e financeiras conveniadas.

Aliás, o âncora do programa do canal 10 e um dos entrevistadores do governador chegaram ao cúmulo da subserviência no momento em que ele falava sobre a greve dos professores, destacando que havia autorizado o pagamento do reajuste de, 6,2% determinado pela Justiça, mas não revelou que seria parcelado.

Neste momento, os dois jornalistas da Antena 10, no afã de agradar o entrevistado, sem dúvida, partiram pra cima do Sinte e dos professores, responsabilizando-os pela greve e pelos prejuízos causados aos estudantes. Uma vergonha para o jornalismo piauiense!

Passou batido, na tal sabatina, o escândalo denunciado pela oposição da farta distribuição de contracheques graciosos a chefes e chefetes políticos da capital e do interior, que fez explodir a folha de pagamento, hoje no limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Providencialmente foram esquecidas as mortes de parturientes e recém-nascidos na Maternidade Evangelina Rosa, bem como a falta de resolutividade nos hospitais regionais, que continuam com o programa da ambulanciaterapia, congestionando o HUT e outras casas de saúde de Teresina.

Perguntas e respostas parecem ter sido adredemente preparadas para que Sua Excelência deitasse e rolasse com uma retórica vazia e enganosa, à maneira dos sofistas.

Quando um dos repórteres teve a ousadia de falar no Centro de Convenções, Sua Excelência sorriu amarelo e, meio sem jeito, anunciou para breve a sua inauguração, cuja reforma se arrasta há mais de 10 anos.

Ficamos sem saber, porém, das investigações sobre os desvios de recursos na execução daquela obra, o montante desviado e a punição dos culpados, assim como parece ter caído no esquecimento o desvio de verbas federais destinadas ao Porto de Amarração.

No escândalo da SEDUC, pela fala do governador, os únicos culpados são os empresários. Os gestores da Educação não carregam nenhuma parcela de culpa. E, mais uma vez, os entrevistadores engoliram calado as explicações do nosso governante.

Lamentável, sob todos os aspectos, que canais de televisão se prestem ao papel de servirem de palanques e que jornalistas rasguem o Código de Ética da categoria e ajam com tanta subserviência.

Deixe uma resposta