Conversas de bordel

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As redes sociais, nos momentos de turbulência, intolerância e paixões políticas desenfreadas, se tornam um terreno pantanoso para os que ainda acreditam em solução pacífica para os tormentosos problemas que afligem a Nação.

A pobreza dos debates, a mediocridade dos contendores, as manifestações de ódio, as mistificações e a falta de respeito ao interlocutor reduz as discussões a conversas de bordel, em que não faltam palavrões, agressões e nenhum conteúdo aproveitável, com raríssimas e honrosas exceções.

Predominam a boçalidade e a paixão política que cega e emburrece o indivíduo. Quase todos são doutores em matéria de política, embora não enxerguem um palmo além do nariz. São especialistas em economia, segurança pública, relações internacionais e por ai vai. A única coisa que não conhecem e, fazem questão de deixar isso bem claro, é o respeito ao próximo.

Não há um debate civilizado de ideias. Trava-se nas redes sociais uma guerra sem regras e sem tréguas, onde vale tudo. A mentira, a calúnia e a infâmia são as armas mais utilizadas nessa disputa para ver quem destrói mais rápido a reputação do outro.

Portanto, perde tempo quem busca esclarecimento nesses canais de comunicação. É preferível correr o risco das manipulações na grande mídia do que conviver com a baixaria reinante nas redes sociais, onde nem a família nem Deus estão livres dos boquirrotos.

E o que se vê na internet é a reprodução do que falam os candidatos a presidente, que se preocupam mais em exaltar os seus feitos e apontar os defeitos dos adversários, sem apresentar ao eleitorado um plano de governo consistente e exequível.

Todos, sem exceção, fazem promessas mirabolantes de reequilibrar a economia do país em curto prazo, desenvolver uma política geradora de emprego e renda, mas sem detalhar como isso será alcançado num país em crise cujo PIB cresceu apenas 0,1%.

Fogem de temas delicados, que podem tirar votos, como as reformas da Previdência, Tributária e a Reforma Política. Enfim, todos sem exceção, limitam-se a jogar para a plateia, prometendo o que não podem cumprir, pelo menos nos dois primeiros anos de governo.

Até parece que vivemos uma conspiração da ,mediocridade, pois nem nos debates pela televisão se consegue perceber algo alentador no discurso dos candidatos, em parte por falta de tempo para desenvolver seus raciocínios ou por culpa do despreparo dos entrevistadores, é bem verdade.

Esperávamos um debate fecundo e realista das questões nacionais, uma campanha propositiva em que prevalecesse o bom senso e propostas exequíveis, mas, infelizmente,
isso não acontece.

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