O discurso do ódio

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Lula:n "É nós contra eles..." Crédito: folhapolitica.org

A tentativa de assassinato sofrida por Jair Bolsonaro, em Minas Gerais, na tarde de quinta-feira (6) pode até parecer que foi apenas um ato de loucura de um lunático que diz ter agido por ordem de Deus ao esfaquear o presidenciável do PSL, mas não foi só isso.

O agressor tem aspecto de louco realmente, mas foi por muito tempo filiado e militante do PSOL, partido que se formou a partir de uma dissidência do PT e nas redes sociais sempre combateu Bolsonaro, que não encarna o seu ideal político.

Diante desse detalhes, difícil descartar a motivação política do crime. Não que algum partido ou liderança política tenha encomendado o serviço. Seria leviandade fazer uma afirmação categórica nesse sentido.

É inegável, porém, que o discurso do ódio pode influenciar e levar a gestos extremos pessoas menos preparadas para a vida em sociedade, especialmente no calor de uma campanha presidencial onde o radicalismo é a regra e a luta pelo poder não respeita limite ético ou moral.

Lembro que ao eclodir o escândalo do Petrolão, o clima político era tenso. As investigações da Polícia Federal estavam chegando no ex-presidente Lula e seus seguidores ameaçavam incendiar o país se ele fosse preso.

O confronto entre esquerda e direita pegava fogo. O ex-presidente, dizendo-se perseguido pelas elites com as quais convivera em perfeita harmonia durante seus dois governos e até o final da primeira gestão de Dilma Rousseff, definia a situação como “a luta dos pobres contra os ricos exploradores.”

“É nós contra eles”, dizia Lula, incentivando a luta de classes e forjando uma militância cheia de ódio, cega e raivosa. Para essa gente, o ex-presidente é um santo, o pai dos pobres. E na medida que o cerco se fechava sobre ele, o ódio petista aflorava com mais força, separando amigos e dividindo a família brasileira.

Gleisi Hofman, presidente nacional do PT, afirmava que, para prender Lula, teriam que passar por cima do seu cadáver. Depois, diminuiu a exigência. Para prender Lula teriam que levá-la presa também. Nem foi preciso. Na hora “h”, ela desistiu de acompanhar o guru, que foi preso sozinho.

Os dirigentes da CUT e do MST ameaçavam colocar seus exércitos nas ruas se Lula fosse preso. Teríamos uma guerra civil, diziam eles. Só bravatas.

Mas, a semente do ódio fora semeada e os estafetas do PT, uma legião nas redes sociais, nos sindicatos e nos movimentos sociais, ficaram regando a plantação.

Lula foi condenado e preso. Não houve guerra civil, nem derramamento de sangue, mas o discurso virulento, ameaçador continua, sempre no mesmo diapasão, “nós contra eles”.

Isso inevitavelmente, desaguaria na cegueira provocada pela paixão política, que segue produzindo lunáticos como esse que tentou matar o candidato do PSL.

O radicalismo inconsequente, a intolerância, o desrespeito às instituições e às regras democráticas conduzem à violência.

Em razão do exposto, não tenho dúvida de que a única manifestação sincera de um petista em relação ao atentado contra a vida do candidato do PSL foi a da ex-presidente Dila Rousseff: “Demorou a acontecer….”

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