Proposta indecente

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Foto reproduzida do youtube

Por razões diversas, com destaque para a irresponsabilidade fiscal, a corrupção e a incompetência, fatores de corrosão dos cofres públicos, estados e municípios brasileiros, à beira da insolvência, querem resolver seus problemas de caixa com o massacre dos servidores públicos.

Foi com esse propósito cretino que um grupo de governadores, à frente o senhor Ronaldo Caiado, de Goiás, procurou o presidente do STF, semana passada, para reivindicar que aquela Corte aprove a redução da jornada de trabalho e o consequente corte no salário dos servidores públicos dos estados e municípios.

A proposta, se aprovada pelo Supremo Tribunal Federal, representará um estupro à nossa Carta Magna que estabelece o princípio da irredutibilidade dos salários (Inciso XV do Artigo 37 da Constituição Federal de 1988).

Sem falar que isso abriria a possibilidade dos gestores aplicarem seletivamente a medida fazendo valer apenas para os segmentos do funcionalismo identificados por eles como adversários políticos.

Na justificativa dessa proposta imoral, os governadores argumentam que estados e municípios estão sufocados por dívidas impagáveis.

Mas, essas dívidas impagáveis decorrem exatamente da ação nada republicana desses gestores que, ao assumirem o poder, gastam os recursos públicos de forma perdulária.

Loteiam os cargos públicos, criam sinecuras para os amigos, distribuem contracheques sem o menor critério, torram o dinheiro público em obras e serviços com preços superfaturados e abusam das mordomias.

Boa parte desses cavalheiros, pobretões, antes do poder, em pouco tempo estão exibindo sinais exteriores de riqueza, comprando imóveis de alto padrão, carrões de luxo, fazendas, empresas, não se sabe com que dinheiro, pois não foram premiados na Mega-Sena nem herdaram grandes fortunas.

Esse, sem dúvida, é o ralo por onde se esvai o dinheiro público. Seguramente, não é o gasto com pessoal que está levando à bancarrota estados e municípios.

Se a Receita Federal Brasileira acompanhasse a evolução patrimonial dessa gente e os órgãos de controle e a Justiça atuassem como deveriam, certamente a realidade seria outra.

O curioso, nessa questão, é que não se viu nenhuma reação das entidades representativas dos servidores públicos e, se não for feita uma ampla mobilização, há o risco de a  medida ser aprovada pelo STF.

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