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Anta de 180 quilos é resgatada com sinais de caça em Tapiraí: ‘Matam para ter um troféu’, aponta educadora ambiental

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Anta de 180 quilos é resgatada com ferimentos de caça em Tapiraí
Uma anta macho, de aproximadamente quatro anos e 180 quilos, foi resgatada na manhã de segunda-feira (8) no bairro Ribeirão das Antas, em Tapiraí (SP). O animal apresentava ferimentos e estava bastante debilitado.
Segundo o biólogo Rafael Mana, do Núcleo da Floresta (Cras), em São Roque (SP), a instituição foi acionada pelo Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema) de Tapiraí após moradores relatarem a presença de uma anta ferida na região.
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“Ficaram monitorando até a nossa chegada. Encontramos um animal muito debilitado, desidratado, completamente prostrado e com inúmeros ferimentos que condizem com arame farpado, mordida de cães, arranhaduras que podem até ser de onça-parda. Mas existem indícios de que o animal tenha sofrido com caça predatória. Acreditamos que foi alvejado por caçadores, pois achamos o buraco do tiro e provavelmente o projétil ainda esteja dentro”, relata o biólogo.
Anta foi encontrada muito debilitada e com ferimentos de caça em Tapiraí (SP)
Núcleo da Floresta/Divulgação
Para fazer o resgate, a equipe precisou inicialmente conter o animal com o auxílio de um cambão. Em seguida, foi feita a sedação da anta com o uso de tranquilizantes. Após o procedimento, o animal foi encaminhado ao Núcleo da Floresta, onde permanece sob cuidados veterinários.
Segundo o biólogo Rafael Mana, a anta está recebendo tratamento intensivo, que inclui hidratação, antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos e soro antitetânico.
“Ela está sendo monitorada em tempo integral, mas a evolução do quadro, por enquanto, é desfavorável. Estamos fazendo tudo o que é possível e torcendo pela recuperação”, afirma o especialista.
Equipe fez a contenção do animal para levá-lo ao centro de reabilitação em São Roque (SP), onde recebe cuidados intensivos
Núcleo da Floresta/Divulgação
Alvos de caçadores
Patrícia Faria, educadora ambiental e presidente do Comdema, afirmou ao g1 que a região onde a anta foi encontrada é conhecida pela presença de caçadores. Segundo ela, essa situação levou o órgão a iniciar um levantamento para identificar o número de animais silvestres mortos pela caça.
“Ainda não temos números oficiais, somente casos pontuais informados pela comunidade. Nos últimos 12 meses, o que chegou até nós foram três antas encontradas mortas em Tapiraí”, aponta Patrícia.
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Segundo a profissional, os moradores fizeram o primeiro contato por volta das 7h. O animal foi encontrado em uma área localizada a cerca de cinco quilômetros do Centro da cidade.
“Mas, do local onde foi visto pela primeira vez até o ponto em que o encontramos, ele percorreu cerca de 10 quilômetros, caminhando pela estrada”, disse.
A anta resgatada foi batizada por Patrícia como Neymar. Segundo ela, a escolha do nome teve o objetivo de dar mais visibilidade ao caso e às instituições que atuam na proteção de animais silvestres.
“Como estamos próximos da Copa, pensei no jogador brasileiro mais conhecido”, comentou.
Anta resgatada foi batizada por Patrícia como Neymar
Núcleo da Floresta/Divulgação
A educadora ambiental explica que Tapiraí está inserida em uma das áreas de Mata Atlântica mais preservadas do estado de São Paulo, habitat de diversas espécies da fauna silvestre, incluindo as antas.
A própria origem do nome do município reforça essa relação com o animal, cujo nome científico é Tapirus terrestris. Segundo a prefeitura, “Tapiraí” é uma expressão indígena que significa “lugar de anta”, em referência à grande presença desses animais na região.
No entanto, o município enfrenta o desafio de combater a caça ilegal, que, segundo Patrícia, ocorre por diferentes motivos.
“Como o consumo da carne de animais silvestres e a busca por um hobby. A riqueza biológica da região acaba atraindo pessoas de outras localidades para caçar, muitas vezes com o apoio de moradores da cidade em troca de benefícios financeiros. Em alguns casos, essas incursões também estão associadas à exploração ilegal do palmito-juçara, aumentando a pressão sobre a fauna e os ecossistemas locais. Basicamente, matam para ter um ‘troféu’. As pessoas vêm de fora, com dinheiro, trocam por guiada, ajuda para caçar. Infelizmente, é muito triste”, lamenta a especialista.
O levantamento que está sendo feito pelo Comdema, por meio do projeto Observatório do Território, deve ser entregue até o fim deste ano.
“Estamos com força trabalhando na educação ambiental por meio de projetos, como o Ecos da Floresta”, conclui Patrícia.
Equipe do Núcleo da Floresta e do Comdema atuou no resgate da anta que recebeu nome de Neymar
Núcleo da Floresta/Divulgação
Antas albinas de Tapiraí
Tapiraí também é conhecida pelos registros frequentes de antas albinas, relatados por moradores e pesquisadores da região. A população desses animais foi tema de um estudo científico conduzido por Mariana Landis, pesquisadora do Instituto Manacá, parceiro do Legado das Águas.
Ela explica que o albinismo por si só já é uma condição rara, mas acontecer duas vezes no mesmo local é daquelas probabilidades de uma em um milhão.
“Dois indivíduos albinos em uma mesma região, a gente considerou como se fossem dois raios caindo no mesmo lugar, sabe? Principalmente porque trata-se de uma característica genética recessiva, que normalmente é mais rara em um animal silvestre. Então, em 2018, nós começamos uma busca por material biológico, por amostras desses indivíduos para análise. Instalamos armadilhas de pelo na reserva, que eram arames por onde as antas passavam e deixavam os pelinhos da crina com bulbo, que continha a informação genética necessária para a gente mandar para o laboratório e fazer as análises do grau de parentesco.”
Canjica, macho albino flagrado no Legado das Águas por uma das armadilhas fotográficas instaladas por Luciano
Luciano Candisani
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