
Documentário produzido no interior de SP mostra importância da agricultura familiar
Formado por 32 municípios, o Sudoeste Paulista reúne mais de 600 mil de habitantes. Desse total, cerca de 23% vivem na zona rural, um índice bem acima da média brasileira, de aproximadamente 15%, e muito superior à média do estado de São Paulo, de apenas 4%. A região se destaca como uma das mais rurais do estado.
A importância da agricultura familiar para a economia, a cultura e a segurança alimentar do sudoeste paulista é o tema central de um documentário produzido pela Associação Cânions Paulistas, organização sem fins lucrativos sediada em Itararé (SP). Assista a um trecho do trailer acima.
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O filme “Gente que Cultiva” reúne relatos de agricultores familiares, quilombolas, indígenas e assentados dos municípios de Buri, Capão Bonito, Guapiara, Itaberá, Itapeva, Itararé, Ribeirão Branco e Riversul. O lançamento está previsto para 16 de julho.
Ao g1, a arquiteta Carolina Klocker, uma das sócias-fundadoras da associação, contou que instituição foi criada há cinco anos com o objetivo de desenvolver projetos voltados ao meio ambiente, à cultura e à cidadania. Desde 2022, a entidade passou a atuar diretamente em comunidades rurais da região.
“Uma em cada quatro pessoas da nossa região mora no campo. Percebemos que esse público estava muito desassistido e que era importante oferecer suporte, principalmente aos agricultores familiares”, afirmou Carolina.
A associação integra a Rede Sociotécnica do Sudoeste Paulista, formada por órgãos de assistência técnica, universidades, entidades de apoio ao empreendedorismo e organizações da sociedade civil.
Filme produzido por associação do interior de SP mostra força da agricultura familiar e do trabalho no campo
Cânions Paulistas/Divulgação
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De acordo com Carolina, a proposta é unir conhecimentos para aumentar a renda dos pequenos produtores, fortalecer empreendimentos agroecológicos e melhorar a qualidade de vida das famílias do campo.
Ela afirma que o trabalho já contribuiu para retirar famílias da linha da pobreza e evitar o encerramento de pequenos negócios rurais.
“Às vezes, com pequenos ajustes, é possível transformar um empreendimento. Levamos educação financeira, planejamento da produção e ajudamos o agricultor a entender custos, despesas e para quem vender.”
Produção percorreu oito cidades do sudoeste paulista e ouviu agricultores familiares, assentamentos, quilombolas e indígenas
Cânions Paulistas/Divulgação
Segurança alimentar
Um dos objetivos do documentário é mostrar que o sudoeste paulista desempenha papel estratégico na produção de alimentos para o estado.
“A nossa região é um celeiro de alimentos. Enquanto boa parte da produção brasileira é voltada para commodities, aqui existe uma enorme diversidade de alimentos que chegam à mesa das pessoas”, disse.
Foram 34 entrevistados de seis organizações de agricultores familiares e oito entidades de assessoria multidisciplinar ao produtor. Os trabalhadores produzem verduras, legumes, frutas, alimentos orgânicos e plantas medicinais em pequenas propriedades, muitas vezes administradas pelos próprios membros da família.
Carolina também destacou que o filme procura combater estereótipos sobre quem vive no campo.
“Existe uma sabedoria enorme entre essas pessoas. A gente aprende muito com elas. O documentário nasceu como uma forma de agradecer e valorizar esse conhecimento.”
Produção percorreu oito cidades do Sudoeste Paulista e ouviu agricultores familiares, assentamentos, quilombolas e indígenas
Cânions Paulistas/Divulgação
Rosani Sato é uma das entrevistadas que aparece no filme. Junto do marido, ela mantém uma cultiva produtos orgânicos em Buri. Entre as culturas, o casal produz tomate, pepino, abobrinha, pimentão, gengibre e mandioca, além de algumas frutas.
“O orgânico ele é um processo onde temos um cuidado muito especial com o solo,sem uso de agrotóxicos e tbm com uma preocupação de estar fornecendo um alimento saudável e seguro”, explica a agricultora.
Rosani e Jorge Sato, casal de agricultores de Buri (SP)
Arquivo Pessoal
Para Rosani, participar das filmagens e ter a oportunidade de mostrar o trabalho desenvolvido pela família foi uma experiência positiva. Ela acredita que a iniciativa pode contribuir para que mais pessoas reconheçam a importância da agricultura familiar e do trabalho no campo.
“Foi muito bom, pois pudemos mostrar a outras pessoas que é possível sobreviver aqui na roça com a nossa produção. Viver no campo é muito bom, principalmente quando estamos colaborando com a natureza e produzindo alimentação saudável não só para o nosso consumo, mas para outras pessoas.”
Rosani também espera inspirar outras famílias a seguirem o mesmo caminho
“Meu sonho profissional é que outras pessoas possam acreditar que é possível viver no campo, produzir e poder criar seus filhos, respeitar a natureza e fazer como eu e o Jorge fizemos há 34 anos, saindo da grande São Paulo e vindo para o campo”, afirma.
Rosani e Jorge Sato, casal de agricultores de Buri (SP)
Arquivo Pessoal
Produção do filme
As gravações ocorreram no fim de 2024 durante sete dias e passaram por oito municípios do sudoeste paulista. O encerramento das filmagens aconteceu durante um encontro de agricultores familiares realizado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no campus de Lagoa do Sino, em Buri.
O documentário foi produzido por uma equipe de apenas três pessoas e contou com recursos de R$ 15 mil obtidos por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio de edital de cultura da Prefeitura de Itararé.
Parte das tomadas foram feitas no Encontro da Rede Sociotécnica na UfsCar Lagoa do Sino, em Buri (SP)
Arquivo Pessoal
Segundo Carolina, o orçamento reduzido exigiu que a equipe acumulasse diversas funções, como captação de imagens, direção, roteiro, edição e pós-produção.
“Foi um trabalho feito com muito esforço e dedicação. Nenhum de nós foi muito bem remunerado, mas existe uma causa na qual acreditamos.”
Equipe de gravação contou com Rodrigo Antunes, na captação das imagens, Pâmella Bandini, com câmera secundária, e Carolina Klocker na direção de fotografia e produção de roteiro
Arquivo Pessoal
Fortalecimento da agricultura familiar
Além do documentário, a Rede Sociotécnica do Sudoeste Paulista trabalha na estruturação da cadeia produtiva da agricultura familiar.
Segundo Carolina, um dos desafios é fazer com que os produtores tenham planejamento antes mesmo do plantio, evitando desperdícios e garantindo melhores condições de comercialização.
“A ideia é que o agricultor saiba antecipadamente para quem vai vender, quanto vai produzir e por qual preço. Isso torna a atividade mais segura e reduz o risco de prejuízo.”
Agricultura familiar do Sudoeste Paulista vira tema de documentário e destaca a importância dos saberes do campo
Cânions Paulistas/Divulgação
Lançamento
O documentário será lançado em um evento no Teatro Municipal de Itararé, marcado para 16 de julho, às 16h. O evento terá a presença dos agricultores que foram entrevistados, instituições parceiras e participantes da produção.
Após a exibição presencial, o filme ficará disponível gratuitamente no canal da Associação Cânions Paulistas no YouTube.
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