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Após crise com Michelle, André Fernandes deixa recado sobre pré-candidatura do pai ao Senado: ‘quem estiver achando ruim que se exploda’

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andre alcides
Alcides Fernandes recebe apoio do filho André Fernandes ao lado de Flávio Bolsonaro
Reprodução
O deputado federal André Fernandes rebateu as críticas da pré-candidatura do pai, Alcides Fernandes, ao Senado Federal, lançada nesta sexta-feira (10) em evento com Flávio Bolsonaro – todos integrantes do Partido Liberal (PL) – em Fortaleza. “Quem estiver achando ruim que é o meu pai, que se exploda”, disse André à plateia de apoiadores. A frase foi dita após uma crise entre Flávio e a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro pelas escolhas de candidatos no Ceará.
Com a blusa “filho do Alcides”, André, presidente do PL do Ceará, destacou que o pai dele foi escolhido pelo próprio ex-presidente Jair Bolsonaro. André reproduziu suposto diálogo com Bolsonaro: “O nosso presidente Bolsonaro escolheu: ‘André, eu quero falar com teu pai. Ele topa ser candidato ao senado da república pelo Ceará?’ A gente aceitou. Toda a turma aceitou”.
A fala de André ocorre após críticas do senador Cid Gomes de que “ninguém sabe quem é. É o pai do André” sobre Alcides Fernandes. Além disso, o nome de Alcides enfrenta resistência dentro do PL por parte de Michelle Bolsonaro e de Priscila Costa, apoiada pela ex-primeira dama para a vaga do Senado.
Alcides Fernandes oficializa pré-candidatura ao Senado pelo Ceará, ao lado de Flávio Bolsonaro.
PL/Reprodução
Pré-candidatura oficializada
O deputado Alcides Fernandes foi oficializado como pré-candidato ao Senado pelo PL, na noite desta sexta-feira (10). Ele estava acompanhado do próprio filho, o deputado federal André Fernandes e o pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro — ambos do PL também.
Alcides foi escolhido em vez da deputada federal Priscila Costa (PL), nome local apoiado por Michelle Bolsonaro. A disputa dos nomes faz parte de uma crise interna do PL, onde lideranças divergem sobre apoios no estado como, por exemplo, a aliança com Ciro Gomes (PSDB).
O apoio a Ciro no estado foi o estopim para a crise do pré-candidato à presidência com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Após a crise com Flávio Bolsonaro (leia mais abaixo), Michelle decidiu sair da presidência do PL Mulher e cogita não ser candidata ao Senado pelo DF, como informado pelo Blog do Camarotti.
O evento desta sexta, inclusive, contou com algumas pessoas que seguravam placas com as frases “CIRO NÃO” e “DIREITA NÃO VOTA NA ESQUERDA”. Em determinados momentos, alguns princípios de confusão foram registrados. O deputado André Fernandes comentou os tumultos.
“Eu sei que tem alguns petistas infiltrados querendo bagunçar o nosso evento. Faz o seguinte: ignora. Hoje é dia de festa. Vamos derrubar o PT. Entenda que em todo momento vai aparecer gente querendo dividir a oposição”, disse o parlamentar no início da fala. Antes de finalizar o discurso, ele comentou outro confronto que começou entre os participantes do evento.
Participantes de evento do PL no Ceará protestam contra aliança com Ciro Gomes no estado.
Kid Junior/SVM
Críticas ao crime organizado
Em discurso, Alcides citou a atuação de facções criminosas no estado. “Nosso Estado está num verdadeiro narcoestado. Nós estamos vivendo sob o domínio das facções criminosas. Eles estão controlando a internet, eles estão controlando o gás, eles estão controlando os portos, os aeroportos”, disse.
“O TRE, o Tribunal Regional Eleitoral, disse que não tem eleições no Estado de Ceará se não tiver o envio das Forças Nacionais para vir coibir essa situação das facções criminosas”, complementou.
A fala foi em referência a aprovação do TRE-CE para a requisição, junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de forças federais para 66 municípios cearenses. O objetivo, conforme o órgão estadual, é garantir, “nos dias das votações, a segurança necessária para que o eleitor possa exercer com segurança sua cidadania, seu poder de escolha”.
O pré-candidato ao Senado criticou ainda os concorrentes governistas, alegando suposto envolvimento deles com crime organizado. “Eu comecei a pensar, senhor presidente [falando com Flávio Bolsonaro], na minha imaginação, quais são os senadores que esse desgoverno está querendo mandar lá para Brasília para representar o povo do Estado de Ceará. São pessoas envolvidas também com as facções criminosas. São pessoas que estão envolvidas com o crime organizado”, disse Alcides.
Visita à rua abandonada
Flávio Bolsonaro, visitou nesta sexta-feira uma rua abandonada por moradores no bairro Vila Velha, em Fortaleza, devido a uma disputa de facções. Flávio voltou a defender a classificação de facções criminosas como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas.
A rua visitada por Flávio, na periferia da capital cearense, ficou praticamente desabitada em 2020 após moradores fugirem de uma briga entre facções rivais. Utilizando um colete à prova de balas por baixo da camisa, o senador entrou em casas vazias ao lado do deputado federal André Fernandes e Alcides Fernandes (PL).
“Um dos maiores problemas que o Brasil tem hoje é atuação de facções narcoterroristas, que tão simplesmente dominando territórios. Esse aqui é mais um território que eles dominaram um tempo atrás e simplesmente está abandonado hoje em dia”, disse Flávio.
O senador também criticou o governo do presidente Lula, que se opôs à classificação das facções como terroristas pelos Estados Unidos. O governo afirma que a medida poderia ensejar que o governo norte-americano aplique sanções econômicas contra o Brasil e até mesmo intervenha militarmente.
“O presidente da República, Lula, ir lá pros Estados Unidos pra defender que CV e PCC não sejam declarados como organizações terroristas, os caras são terroristas, não adianta. Tem que ter a pena mais dura, como a gente está fazendo”, afirmou.
Acordo coloca Flávio e Ciro como aliados no Ceará
Michelle e Flávio Bolsonaro
Divulgação/Flickr do PL Mulher e de Flávio Bolsonaro
No Ceará, Michelle defende a candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Governo do Estado. Conforme diz Michelle, Girão representa localmente os valores defendidos por Bolsonaro. Ela avalia que o apoio do PL a Ciro só deveria ocorrer em um eventual segundo turno na disputa local.
Quem é quem na disputa eleitoral do Ceará que levou ao racha entre Michelle e Flávio Bolsonaro
Ao longo de 2025, Ciro e lideranças do PL passaram a negociar uma chapa para disputar o governo estadual contra Elmano de Freitas (PT), atual governador. Pesquisa Quaest divulgada em abril sobre as eleições locais indica Ciro Gomes na liderança das intenções de voto, com 41%, e Elmano de Freitas (PT) com 32%. Eduardo Girão (Novo) é o terceiro, com 4%.
Em maio de 2026 o PL Ceará, liderado por Fernandes, oficializou o apoio a Ciro Gomes. No lançamento da pré-candidatura, Ciro afirmou que sua chapa tinha dois candidatos ao Senado: o ex-deputado federal Capitão Wagner (União) e o pai de André Fernandes, o deputado Alcides Fernandes.
A aliança do PL prevê o apoio de Gomes à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro com palanque no estado.
Crise com Michelle Bolsonaro
Michelle Bolsonaro decide deixar presidência do PL Mulher após crise com Flávio
Em dezembro do ano passado, Michelle criticou em evento público realizado em Fortaleza a eventual aliança do PL com Gomes, segundo ela um crítico do ex-presidente Jair Bolsonano (PL) enquanto ele estava no poder.
Em um dos vídeos publicados no dia 24 de junho, Michelle lembrou que Ciro havia criticado duramente Jair e seus filhos e afirmou que o apoio articulado por André Fernandes, presidente estadual do PL no Ceará, era precipitado.
À época, Flávio teria ligado para Michelle de forma desrespeitosa e a maltratado, como a ex-primeira-dama descreveu em vídeos publicados em suas redes sociais.
“Voltando ao Flávio. Telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone. E eu não tinha feito nada contra ele”, afirmou a ex-primeira-dama.
Michelle Bolsonaro expõe briga com Flávio: ‘Entendi que não queria meu apoio’
Ela afirma que, pouco após o discurso, Flávio Bolsonaro telefonou para ela e os dois discutiram. “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi”, narrou.
Após os vídeos, Flávio Bolsonaro fez uma publicação em suas redes sociais em que pediu desculpas a Michelle, disse que não teve intenção de ofendê-la e afirmou que está de “coração aberto” para encontrá-la.
Libras, Estrela de Davi e honrarias: o cenário escolhido por Michelle Bolsonaro em vídeo
Assista aos vídeos mais vistos do Ceará

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