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De servidora pública a dona de fábrica: a história da empreendedora do melhor chocolate do Brasil

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Como uma confeiteira criou o melhor chocolate do Brasil
O sonho de empreender falou mais alto que a estabilidade no serviço público. Depois de pedir licença do cargo de servidora pública no Espírito Santo, Priscila França decidiu apostar na confeitaria e transformou a paixão pelo chocolate em um negócio premiado.
Hoje, a empreendedora comanda uma fábrica de chocolates artesanais em São Paulo que produz cerca de 400 quilos por mês, fatura aproximadamente R$ 1 milhão por ano e acumula 14 prêmios nacionais e internacionais pela qualidade dos produtos.
O negócio nasceu da paixão pela gastronomia, mas foi uma viagem à França que mudou definitivamente os rumos da empreendedora.
Enquanto acompanhava o marido durante um período de estudos no país, Priscila trabalhou em restaurantes franceses e portugueses até assumir a chefia da confeitaria de um restaurante. Foi ali que descobriu um universo que mudaria sua carreira: o chocolate de origem.
Durante um evento gastronômico, ela experimentou, pela primeira vez, um chocolate produzido com cacau brasileiro de origem controlada.
“Aquela mesa mudou a minha vida”, resume a empresária ao lembrar do momento em que percebeu o potencial do cacau nacional. A experiência despertou uma inquietação: entender como era possível produzir um chocolate com tanta qualidade usando matéria-prima brasileira.
Conheça a a história da empreendedora do melhor chocolate do Brasil
Reprodução/PEGN
Do estágio à própria marca
Ao voltar ao Brasil, Priscila procurou um especialista em chocolates e pediu para estagiar na produção. O plano era aprender todo o processo para desenvolver uma marca própria.
O estágio, inicialmente previsto para durar três meses, acabou se estendendo por nove. Durante esse período, ela aprofundou os conhecimentos técnicos sobre torra, fermentação e produção do chocolate — conhecimentos que hoje considera um dos principais diferenciais da empresa.
Segundo a empreendedora, cada lote de cacau passa por diferentes protocolos de torra para identificar o melhor perfil sensorial antes da fabricação das barras.
O trabalho rendeu reconhecimento: o chocolate 70% cacau produzido pela marca conquistou o prêmio de melhor chocolate do Brasil.
Pequenos produtores da Amazônia
Hoje, toda a produção utiliza cacau adquirido de pequenos produtores da Amazônia, principalmente do Pará, além de fornecedores de Rondônia e da região de Manaus.
Mais do que garantir diferentes perfis de sabor, a escolha busca fortalecer uma cadeia produtiva mais sustentável e valorizar quem produz a matéria-prima.
Segundo Priscila, manter uma relação próxima com os produtores é parte essencial do negócio e garante mais transparência sobre a origem dos ingredientes.
Conheça a a história da empreendedora do melhor chocolate do Brasil
Reprodução/PEGN
Concursos como estratégia de marketing
Sem orçamento para investir em publicidade no início da empresa, Priscila encontrou outra forma de ganhar visibilidade: inscrever seus produtos em concursos.
A primeira medalha veio quando ela ainda produzia chocolates em casa, apenas cinco meses após iniciar a fabricação.
Desde então, os prêmios passaram a funcionar como uma espécie de selo de qualidade para a marca.
“Se você não tem dinheiro para investir em marketing, procura concurso”, aconselha a empreendedora. Segundo ela, esse tipo de reconhecimento ajuda a gerar credibilidade, aumentar a notoriedade da marca e abrir portas para novos clientes.
Outro investimento importante foi o design das embalagens. Inspiradas em aquarelas e no chamado “mapa sensorial” dos chocolates, elas procuram traduzir visualmente os sabores encontrados em cada barra.
A estratégia acompanha um hábito do consumidor: de acordo com a empresária, mais da metade dos brasileiros compra chocolates para presentear, tornando a apresentação do produto um diferencial competitivo.
Hoje, uma barra custa, em média, R$ 36, e a produção continua sendo artesanal, mesmo com o crescimento da empresa.
Vendas mudaram de perfil
Durante muitos anos, o foco da empresa esteve nas vendas para outras empresas (B2B). Com a mudança para a fábrica atual e a abertura da loja física, o consumidor final passou a ganhar espaço.
Segundo Priscila, atualmente cerca de 70% das vendas já são feitas diretamente ao consumidor (B2C), enquanto os 30% restantes atendem empresas, empórios gourmet, revendedores e, mais recentemente, uma rede de hotéis. O próximo passo é iniciar as exportações.
Para quem deseja abrir um negócio, a empresária acredita que a principal habilidade é confiar no próprio projeto. “Empreender não depende de ninguém, só de você”, afirma.
Segundo ela, o apoio das pessoas costuma surgir depois que o empreendedor demonstra convicção e persistência. “Quando a gente tem muita vontade, a gente contagia as pessoas em volta”, diz.
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