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Como uma arquiteta transformou plantas do quintal em marca de cosméticos que fatura R$ 250 mil

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Do quintal ao laboratório: empreendedora transforma plantas do Maranhão em cosméticos naturais
A arquiteta Ana Carolina Frota nunca imaginou que o quintal de casa seria o ponto de partida para um negócio de cosméticos naturais. Acostumada a desenhar jardins e projetos de paisagismo, ela viu sua rotina profissional mudar durante a pandemia, quando a demanda por seus serviços diminuiu.
Foi então que passou a dedicar mais tempo ao cultivo de plantas e à produção artesanal de extratos e óleos, uma atividade que daria origem à sua marca de cosméticos regenerativos no Maranhão.
O contato com a natureza sempre fez parte da vida da empreendedora. Segundo ela, os primeiros aprendizados sobre cultivo vieram da mãe, que lhe ensinou desde técnicas de plantio até os cuidados necessários para o desenvolvimento das espécies.
Com a abundância de ingredientes cultivados em casa, surgiu uma pergunta: como transformar aquela produção em algo maior?
“Mas eu comecei a colher tanta coisa que eu não sabia o que fazer. E a partir daí começou a ideia de criar uma marca para fazer os cosméticos”, conta Ana Carolina Frota.
Como uma arquiteta criou uma marca de cosméticos inspirada na floresta e faturou R$ 250 mil
Reprodução/PEGN
A curiosidade logo deu lugar ao estudo. Para desenvolver produtos seguros e eficientes, Carol, como é conhecida, buscou formação em cosmética natural, fitoterapia, aromaterapia e técnicas de extração de óleos essenciais.
Também recorreu a pesquisas acadêmicas para aprofundar o conhecimento sobre as plantas da biodiversidade maranhense.
Entre os ingredientes utilizados está o urucum, tradicionalmente empregado por povos indígenas e incorporado a produtos como sabonetes, maquiagens e formulações voltadas aos cuidados com a pele. A valorização dos ativos regionais se tornou um dos pilares do negócio.
No início, porém, a iniciativa não tinha pretensões comerciais. Os primeiros óleos essenciais, extratos e sabonetes eram distribuídos para amigos e conhecidos. O interesse crescente dos consumidores mostrou que havia espaço para transformar a atividade em empresa.
A virada aconteceu quando a empreendedora participou de um programa de aceleração voltado para negócios de bioeconomia. Até então, ela não se enxergava como empresária.
“Eu nem me via como empresária, imagine como startup. Eu era uma artesã de cosméticos”, relembra.
Com recursos e mentorias, a marca ganhou estrutura para avançar na regularização dos produtos e no planejamento do crescimento.
Parte dos investimentos foi destinada à obtenção das autorizações necessárias para comercialização, incluindo processos junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Hoje, a empresa mantém um laboratório em São Luís, onde novas formulações são desenvolvidas.
O trabalho conta com o apoio do engenheiro químico Renato Carvalho, responsável pelo controle de qualidade e pelos testes necessários para garantir a segurança e a estabilidade das fórmulas.
Segundo ele, o desenvolvimento de um único produto pode levar até dois anos e exigir centenas de tentativas.
Como uma arquiteta criou uma marca de cosméticos inspirada na floresta e faturou R$ 250 mil
Reprodução/PEGN
O portfólio já reúne cerca de 20 itens, incluindo linhas facial, corporal e capilar, além de sabonetes e maquiagens. O produto mais vendido é um óleo corporal produzido a partir do babaçu, ingrediente símbolo da região.
A conexão com o território também orienta a escolha de fornecedores. Atualmente, 100% dos ativos utilizados na produção são adquiridos de comunidades e produtores locais, fortalecendo cadeias ligadas à sociobiodiversidade maranhense.
A empreendedora afirma que faz questão de apresentar os produtos finalizados às quebradeiras de coco babaçu que fornecem parte da matéria-prima.
Para os consumidores, o diferencial vai além dos benefícios cosméticos. A cliente Laíse Frasão, usuária da linha capilar e de produtos faciais da marca, afirma que a compra também representa apoio à preservação ambiental e aos conhecimentos tradicionais da região.
A estratégia tem refletido nos resultados financeiros. O faturamento da empresa passou de R$ 100 mil em 2023 para R$ 250 mil em 2025, com vendas realizadas por e-commerce próprio, feiras e lojas parceiras.
Agora, o próximo passo da empreendedora é ainda mais ambicioso: construir uma fábrica própria em território maranhense.
O projeto prevê unir produção industrial, pesquisa e educação ambiental em um mesmo espaço, reforçando a proposta de gerar valor econômico a partir da conservação da biodiversidade.
“Eu vejo muito o trabalho da minha empresa nesse lugar, de ser também um parâmetro, um norte”, afirma Ana Carolina Frota.
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