
Sede do Governo do Estado do Amazonas
Rickardo Marques/G1 AM
O Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) e o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) anunciaram um plano de ação para cobrar do Governo do Amazonas o pagamento de valores atrasados a profissionais que atuam na rede pública de saúde. A medida foi definida em reunião realizada na quarta-feira (29) e tem como objetivo evitar prejuízos nos atendimentos e um possível agravamento da crise na saúde pública do estado.
Segundo as entidades, empresas que prestam serviços médicos ao estado acumulam pagamentos em atraso desde 2024. Entre elas estão a Cooperativa Pediátrica de Assistência Neonatal do Amazonas (Coopaneo) e a Sociedade dos Pediatras do Estado do Amazonas (Cooped).
O g1 procurou o Governo do Amazonas e a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) para comentar as cobranças feitas pelas entidades sobre os atrasos nos pagamentos de profissionais da rede pública de saúde, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
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De acordo com a Coopaneo, o governo deixou de pagar integralmente os serviços prestados em novembro e dezembro de 2024. A cooperativa afirma que ainda tem R$ 7,3 milhões a receber referentes ao período.
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A entidade também informou que acumula créditos de R$ 3,5 milhões por serviços prestados em 2025 e de R$ 6,8 milhões por atendimentos realizados em 2026.
Além disso, a cooperativa diz ter R$ 4,6 milhões a receber por serviços executados por meio da Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (Agir Saúde), responsável pela gestão terceirizada de unidades de saúde estaduais.
Já a Sociedade dos Pediatras do Estado do Amazonas afirma ter R$ 21,6 milhões a receber por serviços prestados entre 2024 e 2026 em unidades que atendem crianças em Manaus.
Segundo a cooperativa, R$ 3,9 milhões são referentes a serviços realizados em 2024. Outros R$ 8,9 milhões correspondem a atendimentos feitos em 2025 nos Centros de Atenção Integral à Criança (CAICs). Neste ano, a entidade afirma que deixou de receber mais R$ 8,7 milhões por serviços prestados entre abril e junho.
Como encaminhamento da reunião, Simeam e CRM-AM decidiram elaborar uma nota técnica conjunta com informações sobre os atrasos relatados pelas empresas. O documento será usado para cobrar providências do poder público.
As entidades também pretendem realizar reuniões com a SES-AM, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) e o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM).
Entidades descartam paralisação
O Simeam e o CRM-AM afirmaram que não há previsão de paralisação dos atendimentos ou suspensão de serviços na rede pública de saúde.
Segundo as entidades, a prioridade é evitar prejuízos à população e impedir o agravamento da falta de assistência médica no estado.
De acordo com os representantes da categoria, os atrasos nos pagamentos e as frequentes mudanças de empresas terceirizadas responsáveis pela contratação de médicos têm gerado instabilidade no sistema.
Além das cobranças administrativas, as entidades informaram que estudam medidas judiciais para garantir o pagamento dos valores devidos aos profissionais.
Atrasos afetam escalas médicas
Em nota conjunta, o CRM-AM e o Simeam afirmaram que os atrasos vão além do impacto financeiro.
Segundo as entidades, a demora no pagamento de salários, honorários, plantões e sobreavisos dificulta a organização das escalas, compromete a manutenção das equipes e prejudica a continuidade dos atendimentos.
“Os médicos têm mantido seu compromisso com os pacientes e com o funcionamento dos serviços, mesmo diante de dificuldades pessoais e profissionais. Entretanto, a prestação regular e segura da assistência depende também de condições adequadas de trabalho, disponibilidade de insumos, tecnologia, estrutura e remuneração tempestiva”, diz trecho da nota.
As entidades defendem que a regularização dos pagamentos é necessária para manter as equipes médicas, garantir a continuidade dos serviços e assegurar atendimento adequado à população.
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