Crepúsculo do jornalismo

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Crédito: cljornal.com.br

Antes mesmo das alterações na legislação trabalhista, o mercado de trabalho do jornalista já sofria os efeitos da desregulamentação da profissão, com o fim da exigência de formação acadêmica para o exercício do jornalismo e o crescimento do número de PJs, um fenômeno que teve início no sul do país e se espalha por todos os estados. Foi uma fórmula que o patronato encontrou para driblar as leis trabalhistas e se livrar dos encargos sociais, infelizmente legitimada pela reforma trabalhista.

As entidades de classes, com raríssimas exceções, envolvidas com interesses políticos partidários, especialmente a Fenaj, esqueceram os interesses maiores da categoria e capitularam vergonhosamente. A degringolada começou quando a Federação dos Jornalistas cruzou os braços e nada fez para impedir que o projeto de criação do Conselho Federal do Jornalismo fosse arquivado no Congresso Nacional.

Em seguida veio a malfadada iniciativa do jornalista e deputado Miro Teixeira de propor ao STF que revogasse, na íntegra, a Lei de Imprensa, que garantia prerrogativas para o livre exercício da profissão de jornalista. Nos dois casos, a Fenaj cruzou os braços e deu um tiro no pé.

O passo seguinte foi a decisão do Supremo Tribunal Federal, com todo o empenho de seu presidente à época, ministro Gilmar Mendes, de acabar com a exigência do diploma de jornalista, permitindo que qualquer um possa exercer a profissão, mesmo que não tenha qualquer qualificação intelectual e moral.

Era Um projeto antigo da classe patronal, encabeçado pelo jornal Folha de São Paulo, que lutou anos a fio pela desregulamentação. Foi a última pá de cal sobre nossa sofrida e desprestigiada categoria.

Não houve, como se temia, a invasão do mercado de trabalho pelos “profissionais” criados pela Suprema Corte. O mercado é seletivo e continuou contratando os melhores profissionais egressos da academia, mas os salários se tornaram cada vez mais aviltantes. Não importa o profissional ser especialista, mestre ou PHD, o patrão está pouco se lixando pra isso.

O jornalista, sem dúvida, é a grande vítima dessa realidade cruel, mas o jornalismo e a sociedade também são penalizados pela ganância da classe empresarial, que não está nem um pouco preocupada com a qualidade da informação que divulga. Nosso modelo de comunicação é privado e para eles a informação é um produto mercadológico que tem que render grana. É isso que importa!

Mas tudo seria diferente, se fôssemos uma categoria unida, coesa, e disposta a lutar por seus direitos. Não apenas por melhores salários, mas pela prática do bom jornalismo e pelo direito da sociedade a informação. Infelizmente, a realidade é outra.

Faço essas digressões a propósito de nota divulgada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Piauí conclamando os seus filiados a participarem de uma assembleia no próximo sábado, às 16 horas, na sede da entidade, para discutir a proposta que a categoria vai apresentar à classe empresarial na campanha salarial deste ano, especialmente a proposta salarial.

Aqui, como de resto em todo o Brasil, jornalista reclama muito dos baixos salários e das péssimas condições de trabalho, critica o imobilismo do Sindicato sem se dar conta de que o sindicato é o conjunto de jornalistas a ele filiado.

Essa gente tem uma atuação aguerrida no espaço virtual, nas redes sociais, mas não participa das assembleias, das reuniões, das mesas de negociações do acordo coletivo de trabalho, dos encontros estaduais de jornalistas, enfim, é completamente omissa na realidade. Mas é impiedosos nas críticas!

Ficaria muito feliz se esses “bravos companheiros” atendessem à convocação do presidente Luiz Carlos Oliveira e se fizessem presentes ao Sindjor-PI no próximo sábado, mas duvido muito que por lá apareçam mais que cinco diretores do Sindicato.

Agora, se chamarem para um jantar com Wellington Dias ou uma manifestação pró-Lula, ai meus amigos o público estaria garantido com certeza. A Unijor inteira estaria presente.

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