Pular para o conteúdo

Número de helicópteros no Rio cresce quase 30% em 3 anos; especialista cobra novas regras de fiscalização

numero-de-helicopteros-no-rio-cresce-quase-30%-em-3-anos;-especialista-cobra-novas-regras-de-fiscalizacao

rj2 limpo 20260810 1830 frame 69026
Rio tem 68 voos panorâmicos por dia e 319 helicópteros; 28% das aeronaves descumprem altitude mínima
O número de helicópteros registrados no Rio de Janeiro cresceu 29% em três anos, passando de 247 em 2023 para 319 aeronaves em 2026, segundo a Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG). O aumento ocorre em meio à expansão dos voos panorâmicos e a uma discussão sobre a capacidade de fiscalização e controle do tráfego aéreo na cidade.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça
A preocupação aumentou desde o último sábado (8), quando uma aeronave caiu em uma área de mata na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, matou quatro pessoas. Ao longo desse ano, 13 pessoas morreram em acidentes com helicópteros.
Número de helicópteros no Rio cresce quase 30% em 3 anos
Reprodução TV Globo
Para o especialista em gerenciamento de risco Gerardo Portela, o crescimento da quantidade de aeronaves torna necessária uma revisão dos procedimentos adotados atualmente para os helicópteros.
Diferentemente dos aviões, que são acompanhados pelo controle de tráfego aéreo, os pilotos de helicópteros fazem entre si, por rádio, a coordenação das rotas.
“Isso fica por conta de cada piloto, eles precisam se entender no ar. Eles têm dificuldade de visualização, depende de um rádio muito disputado. São complicadores que precisam ser avaliados porque o tráfego aéreo aumentou muito”, disse o especialista.
Segundo Portela, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deveria avaliar mudanças nas regras diante do aumento do movimento.
“Então, no meu entendimento, acho que é uma oportunidade de melhoria. A ANAC deveria avaliar se não é o momento de elevar um pouco o nível de qualidade. Não que o outro processo seja inseguro. Ele não é seguro para um tráfego aéreo tão intenso”, explicou.
72 helicópteros a mais em três anos
Os dados da Associação Brasileira de Aviação Geral mostram que o Rio passou de 247 helicópteros em 2023 para 319 em 2026. São 72 aeronaves a mais, o equivalente a um crescimento de 29%.
Helicóptero da empresa Voos Rio Panorâmicos e Serviços Aeronáuticos (VRP) que caiu no Rio.
Reprodução
O aumento da frota acontece paralelamente ao crescimento dos voos panorâmicos. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), foram realizados cerca de 25 mil voos panorâmicos no Rio em 2025, uma média de aproximadamente 2 mil por mês ou 68 por dia.
O procurador da República Sérgio Suiama acompanha a atividade desde 2023, quando o MPF recebeu reclamações de associações de moradores do Joa e, posteriormente, de outros bairros próximos ao Cristo Redentor e à Urca.
“Hoje nós sabemos exatamente quem são as empresas que operam e qual é o número estimado de voos panorâmicos no Rio de Janeiro. Ano passado foram cerca de 25 mil voos, uma média então de 2 mil voos por mês e 68 voos por dia”, disse ele.
Entre 2024 e 2025, o MPF chegou a firmar um acordo com 14 empresas que operavam voos panorâmicos na cidade, incluindo a VRP, para estabelecer parâmetros mínimos de altitude e ruído.
Para Suiama, porém, o aumento do número de aeronaves e dos voos exige novas formas de controle.
“É a hora de nós realmente buscarmos uma solução mais eficaz no que diz respeito a esse controle aéreo de helicópteros de voos panorâmicos”, afirmou o procurador.
28% das aeronaves descumpriram altitude mínima
Um levantamento da Aeronáutica incluído em uma investigação do MPF mostrou que 28% das aeronaves que operaram no Aeroporto de Jacarepaguá entre outubro de 2025 e abril de 2026 passaram abaixo de 500 pés, o equivalente a 150 metros.
Os helicópteros representaram 65% dos casos de descumprimento.
A altitude mínima de 150 metros é exigida para que aeronaves que pousam ou decolam do Aeroporto de Jacarepaguá cruzem as avenidas das Américas e Abelardo Bueno. A regra também contribui para reduzir o impacto do ruído sobre os moradores da região.
O levantamento faz parte da investigação do MPF sobre os impactos sonoros provocados pela atividade aérea.
Só em 2026, 13 pessoas morreram em acidentes de helicóptero no Rio
Crescimento ocorre após série de acidentes
A discussão sobre as regras de circulação dos helicópteros também ocorre após uma sequência de acidentes registrados no Rio neste ano.
Foram quatro acidentes com helicópteros na cidade em 2026, que deixaram 13 mortos. Em junho, dois helicópteros colidiram no ar e caíram no Recreio dos Bandeirantes. Seis pessoas morreram.
Segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), as investigações dos quatro acidentes ainda estão em andamento.
Um dos helicópteros que caíram no Recreio
Reprodução/TV Globo
No último sábado, um helicóptero da empresa VRP, que havia decolado do Aeroporto de Jacarepaguá em direção ao Cristo Redentor, caiu. As imagens da câmera instalada na cabine serão analisadas pelo Cenipa.
Após o acidente, a Prefeitura do Rio pediu à Anac que avaliasse mudanças nas normas para voos panorâmicos, incluindo a possibilidade de delimitar regiões específicas para esse tipo de atividade.

Deixe um comentário

Veja também...

WeCreativez WhatsApp Support
Para tratar de dúvidas, sugestões, parcerias e outros assuntos, mande-nos uma mensagem via WhatsApp!
Olá! Fale com a Redação!