Três influenciadoras digitais de Parnaíba foram alvo da Operação Laverna, deflagrada pela Polícia Civil do Piauí na manhã desta quinta-feira (11). A investigação apura a divulgação de plataformas de apostas conhecidas como “Jogo do Tigrinho” e similares, que teriam movimentado cerca de R$ 10 milhões de forma irregular.

Segundo as investigações, as influenciadoras Thaisa Costa Machado, que tem cerca de 594 mil seguidores, Tereza Iva Gomes Freitas, com 128 mil, e Emília Magalhães Brito, que reúne 93,2 mil seguidores no Instagram, usavam suas redes sociais para promover o chamado “Jogo do Tigrinho” e outros sites similares. A polícia aponta que a prática movimentou aproximadamente R$ 10 milhões e pode caracterizar crimes como estelionato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e divulgação de loteria não autorizada.

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Delegados Matheus Zanatta e Ayslan Magalhães em entrevista à imprensa.

Conforme o delegado Ayslan Magalhães, responsável pelo caso, não houve prisões porque as investigadas são primárias e o crime, apesar de ter pena alta, não envolve violência ou grave ameaça. “Foram impostas medidas cautelares, como busca e apreensão de objetos, sequestro de valores em conta, a entrega dos passaportes e a proibição de sair do Piauí sem autorização judicial. Caso descumpram, poderão ser presas”, explicou.

Ele acrescentou que as investigadas ainda não foram ouvidas. “Elas serão intimadas apenas no final da investigação, depois que analisarmos os celulares e objetos apreendidos. Também vamos ouvir testemunhas e influenciadores que recusaram participar dessas plataformas justamente por saber que iriam lesar seus seguidores”, disse o delegado.

Já o delegado Matheus Zanatta destacou que as investigações começaram em junho do ano passado, com a quebra de sigilo bancário e fiscal das suspeitas. Segundo ele, as influenciadoras simulavam ganhos irreais em plataformas manipuladas para induzir seguidores ao erro. “Verificamos um padrão de vida incompatível, com viagens internacionais, hospedagem em hotéis caros e consumo de artigos de luxo. Uma das vítimas relatou que perdeu todo o dinheiro, chegou a perder seu ponto comercial, ficou viciada nas apostas e entrou em depressão”, afirmou.

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Um dos veículos apreendidos na operação.

Zanatta ressaltou que foram apreendidos bens de alto valor, incluindo bolsas e sapatos de grife, além do bloqueio de contas bancárias. “O estelionato exige representação da vítima, por isso é fundamental que aqueles que foram lesados compareçam à delegacia, registrem boletim de ocorrência e formalizem a denúncia, para que possamos dar continuidade às investigações”, reforçou.

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O nome da operação faz referência à deusa romana Laverna, ligada ao submundo e a práticas ilícitas, em alusão ao caráter oculto dos crimes investigados.

O delegado Matheus Zanatta relatou ainda um caso emblemático de vítima das plataformas ilegais. “Uma das pessoas que jogava nessas plataformas perdeu uma grande quantidade de dinheiro, chegou a perder o ponto comercial, ficou viciada e entrou em depressão. Isso mostra como esses jogos manipulados podem destruir vidas inteiras”, afirmou.

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