
Peter Max durante exposição da Road Show Company, em 6 de setembro de 2014, no Illinois.
Barry Brecheisen / AP
Peter Max, cuja arte pop colorida e psicodélica expressava o otimismo do movimento “flower power” da década de 1960 e estampava de tudo, desde selos postais até um navio de cruzeiro, morreu aos 88 anos, informou seu filho em um comunicado divulgado nesta quarta-feira (16).
Max faleceu na segunda-feira, segundo o comunicado. A causa da morte não foi divulgada, mas ele sofria de demência em estágio avançado.
Max começou sua carreira em design gráfico na década de 1960, e seus desenhos espirais, coloridos e instantaneamente reconhecíveis personificaram a arte “flower power” da época. Mas, graças à sua produção prolífica e ao seu estilo divertido e acessível, o trabalho de Max permaneceu popular até o século XXI.
Max foi o artista oficial dos Jogos Olímpicos, do Super Bowl, das 500 Milhas de Indianápolis, da Copa do Mundo, da Série Mundial e de muitos outros eventos. Suas obras estamparam um Boeing 777 e um navio da Norwegian Cruise Line. Seus retratos variaram de presidentes dos EUA a Taylor Swift.
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Mas, em seu primeiro período de sucesso, no final da década de 1960 e início da década de 1970, seus murais com flores, cosmos e figuras caricaturais — todos em cores vibrantes como turquesa, laranja e verde neon — pareciam estar por toda parte. As paredes dos quartos de estudantes estavam cobertas com seus pôsteres. Móveis domésticos, como relógios e colchas, exibiam seus desenhos.
Ele chegou a criar capas para as Páginas Amarelas de Manhattan, uma lista telefônica comercial distribuída para milhões de pessoas. O próprio Max foi capa da revista Life em 1969, com seu característico bigode escuro e espesso emoldurando um sorriso largo.
“Vamos nos lembrar de sua extraordinária criatividade, seu carinho, sua curiosidade e a maneira como ele enxergava beleza e possibilidades em todos os lugares”, disse seu filho, Adam Max, no comunicado anunciando seu falecimento. “Sua arte se tornou parte da cultura americana, mas o homem por trás dessa arte — o pai que conhecemos e amamos — é a pessoa de quem mais sentiremos falta.”
Peter Max pintando a estatua da liberdade a bordo de um barco.
David Bookstaver / AP
Família fugiu da Alemanha nazista
Max nasceu Peter Max Finkelstein em 1937, filho de uma família judia em Berlim. Eles fugiram da Alemanha nazista para Xangai quando ele ainda era bebê e, mais tarde, viveram no Tibete, em Israel e em Paris antes de se estabelecerem na cidade de Nova York quando Max tinha 16 anos. Nessa época, ele disse em uma entrevista, já era “um grande fã da cultura americana”: quadrinhos, filmes e “toda a música jazz”.
Max estudou em Nova York na Art Students League, na School of Visual Arts e no Pratt Institute. Em 1961, abriu um estúdio de design gráfico com amigos. Seu estilo ousado e singular fez sucesso imediato em agências de publicidade, publicações, no mundo corporativo e na cultura pop.
Isso levou a um negócio comercial em expansão. “Meu trabalho foi realmente, eu diria, quase explorado”, disse ele. “Estava em canecas, lençóis, vestidos, sedas, lenços e gravatas — 70 linhas de produtos.”
Peter Max e Yoko Ono no Central Park.
David Bookstaver / AP
Mas o que o “incomodava” em relação a todo aquele sucesso, segundo ele, era que “não estava mais pintando”. Então, no início da década de 1970, ele encerrou as atividades da empresa por um tempo para se reconectar com sua arte. Um de seus maiores projetos após retornar à vida pública foi uma série de retratos da Estátua da Liberdade, pintados na Casa Branca a convite da primeira-dama Nancy Reagan em 1981.
Max enfrentou diversas controvérsias em sua vida pessoal e profissional. Ele se declarou culpado de fraude fiscal em 1997, depois que a Receita Federal alegou que ele havia ocultado mais de US$ 1 milhão em renda proveniente de sua arte. Inicialmente, ele foi condenado a dois meses de prisão, mas acabou sendo autorizado a cumprir a pena em um programa de trabalho externo, pagar os impostos atrasados e uma multa de US$ 30.000, além de realizar 800 horas de serviço comunitário ensinando arte em escolas do Harlem.
Em 2015, sua vida familiar tornou-se alvo dos tabloides devido a uma disputa entre sua segunda esposa, Mary Max, e Adam, seu filho de um casamento anterior. O filho e um tutor alegaram que Mary Max havia dilapidado suas finanças e o intimidado. Ela, por sua vez, afirmou que eles o mantinham afastado dela contra a sua vontade e haviam roubado pinturas que lhe pertenciam. Relatos de suas aparições no tribunal o descreviam como frágil.
Em 2019, Mary Max morreu por suicídio duas semanas depois de o The New York Times publicar uma reportagem detalhando as batalhas judiciais em torno de sua obra.
Sua arte tinha uma vibração alegre e vibrante
Peter Max em Nova York
Peter Morgan / Reuters
Essas acusações sombrias contrastavam com a vibração alegre e incansavelmente vibrante que permeava sua obra. “As cores são fortes, às vezes intensas, às vezes cruas e às vezes harmoniosas, mas sempre poderosas, e as imagens sempre remetem à natureza pacífica”, disse ele. “Não abordo coisas negativas em minhas pinturas, não me detenho nelas em minha mente e não as transfiro para minhas telas.”
Em outra entrevista, ele resumiu assim: “Eu vejo tudo através de olhos de arco-íris.”
Embora relatos sobre a carreira de Max às vezes lamentem que ele não tenha sido levado a sério pelo meio artístico, na verdade, seu trabalho foi apresentado em dezenas de exposições em museus ao redor do mundo. O Museu de Arte Moderna de Nova York possui sete de suas obras.
A arte da capa do álbum “Yellow Submarine” dos Beatles é às vezes erroneamente atribuída a Max, mas o design da capa do álbum e do filme “Yellow Submarine” é oficialmente creditado ao falecido Heinz Edelmann. Max afirmou em uma entrevista de 2012 que fez o design original de “Yellow Submarine” antes de entregá-lo a Edelmann. No entanto, o site da galeria Park West de Nova York, que há muito tempo representa a arte de Max, descreve o envolvimento de Max em “Yellow Submarine” como “trabalho inicial de consultoria”.
Max, no entanto, era amigo dos Beatles e de muitas outras celebridades. Ele também tinha um profundo interesse pela espiritualidade oriental. Trouxe o “Swami” Satchidananda Saraswati para os EUA e o ajudou a popularizar a ioga por lá.
O primeiro casamento de Max com Elizabeth Nance terminou em divórcio. Além do filho, ele deixa uma filha, Libra Astro



