O Theatro Municipal do Rio de Janeiro completa 117 anos nesta segunda-feira (14) com uma programação gratuita e a volta da ópera Salvator Rosa, de Antônio Carlos Gomes, ao palco principal da instituição após 80 anos.

A obra será apresentada como parte das comemorações do aniversário do teatro e das homenagens aos 190 anos de nascimento e aos 130 anos de morte do compositor.
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A programação do aniversário começou pela manhã e inclui apresentações dos corpos artísticos da casa, da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, de bandas e do projeto Ópera do Meio-Dia. As atividades são gratuitas e ocorrem em diferentes espaços do teatro.
O principal destaque é a remontagem da ópera Salvator Rosa, cuja última apresentação no Theatro Municipal ocorreu em 1946. A produção é resultado de uma coprodução entre o Theatro Municipal do Rio de Janeiro e o Teatro Amazonas e reúne a Orquestra Sinfônica, o Coro e o Ballet da instituição. A direção musical e regência são de Luiz Fernando Malheiro e a direção cênica de Julianna Santos.
Segundo o diretor musical e regente, Luiz Fernando Malheiro, a iniciativa nasceu de uma parceria entre o Festival Amazonas de Ópera e o Theatro Municipal:
“A ideia de montar Salvator Rosa partiu de conversas com o diretor artístico Eric Herrero e com a presidente Clara Paulino. Eles propuseram unir forças entre o Festival Amazonas de Ópera e o Theatro Municipal para trazer de volta esse título de Carlos Gomes ao repertório. A produção estreou em Manaus, em abril, e agora chega ao Rio de Janeiro. Trazer Carlos Gomes para o Theatro Municipal é muito importante”, afirmou.
Malheiro destacou que a obra volta ao palco no mesmo dia em que o teatro comemora aniversário:
“Salvator Rosa não era apresentado aqui havia 80 anos. Poder fazer esse resgate justamente quando o teatro completa 117 anos representa um marco.”
Para o maestro, remontagens das obras de Carlos Gomes contribuem para ampliar o conhecimento sobre o compositor no país.
“Carlos Gomes teve uma importância muito grande na história da ópera e representa uma transição entre o romantismo e o início do século XX. No Brasil, ele ainda é pouco conhecido. Toda vez que se apresenta uma obra dele, ajuda-se a manter esse repertório vivo”, disse.
Segundo Malheiro, também está em andamento um trabalho de revisão de partituras para facilitar futuras montagens de outras óperas do compositor.
Com libreto ambientado na Revolução Napolitana do século XVII, Salvator Rosa estreou em Gênova, em 1874, e acompanha a história do pintor Salvator Rosa e de Isabella, filha do Duque d’Arcos, em meio aos conflitos liderados por Masaniello contra o domínio espanhol.
A presidente da Fundação Teatro Municipal, Clara Paulino, afirmou que a programação gratuita faz parte da política de ampliação do acesso às atividades da instituição, que é um marco da cultura fluminense.
“Uma das missões desse espaço é fornecer acesso à cultura e à arte nas suas diferentes formas. Pensar em uma programação gratuita no aniversário do teatro e também ao longo da temporada é possibilitar a democratização desse acesso”, afirmou.
Segundo Clara, além da programação especial do aniversário, o teatro mantém atividades de março a dezembro, com temporadas de ópera, balé e concertos sinfônicos: “O teatro comemora seus 117 anos recebendo o público em todas as atrações programadas. Isso demonstra que as pessoas estão ocupando esse equipamento cultural e incentiva a continuidade desse trabalho”, disse.
Inaugurado em 1909, o Theatro Municipal é um dos principais espaços dedicados à música de concerto, à ópera e ao balé no país. Ao longo de sua história, recebeu artistas brasileiros e estrangeiros e mantém corpos artísticos permanentes formados pela Orquestra Sinfônica, Coro e Ballet.



