
Twenty-One Pilots: Como dupla virou um dos maiores nomes do rock após três Lollas
A trajetória do Twenty One Pilots no Brasil ajuda a entender não apenas a evolução técnica de Tyler Joseph e Josh Dun, mas como a próprio pop rock mudou nos últimos dez anos. A recusa de rótulos e o trânsito livre por estilos unem as maiores novidades recentes do rock.
Primeiro Lolla
Quando pisaram pela primeira vez no palco do Lollapalooza, em 2016, eles eram vistos por parte do público como uma curiosidade: uma dupla com pose de youtubers mascarados, mistura afiada de rap com indie e uma energia que compensava a escassez de instrumentos com o uso de bases pré-gravadas e acrobacias.
Twenty One Pilots se apresentam no palco Skol do Lollapalooza 2016
Flavio Moraes/G1
Naquela estreia, faixas como “Stressed Out” e “Car Radio” já mostravam o apelo direto com a fatia mais jovem da plateia. Era um som moldado por dilemas existenciais, letras com tom positivo e uma salada de influências que ia do hip hop ao poperô. Em entrevista ao g1 na época, Josh Dun justificava a formação enxuta e a mistura estilística: “A gente notou que tocava melhor assim. Mas ao mesmo tempo, nos sentimos vulneráveis com só dois no palco”. A vulnerabilidade virou combustível.
Segundo Lolla
Fãs de Twenty One Pilots pintam até cabelos de amarelo para show
Três anos depois, no Lollapalooza 2019, o cenário era outro. A dupla desembarcou no Autódromo de Interlagos carregando a era “Trench”, que pintou a plateia de preto e amarelo com fitas, lenços e cabelos tingidos. Maior, o duo foi eleito o melhor show daquela edição, entregando um caos sonoro e performático que reforçava a tese de “gênero fluido” defendida por Josh Dun antes de subir ao palco: “Não sei se o que tocamos é rock, e isso não importa”.
No Brasil, mas não no Lolla
A escalada do grupo não se restringiu às edições do festival paulistano. Em novembro de 2022, o Twenty One Pilots dividiu o protagonismo do GPWeek com o The Killers, tocando para 50 mil pessoas em São Paulo. No estádio do Palmeiras, Tyler e Josh provaram que já sabiam conduzir multidões. Ali começou a ficar evidente o amadurecimento musical, com arranjos mais dançantes (como o groove de “The Outside”) e o apoio de uma banda no fundo, sem abrir mão do habitual show de luzes de celulares e da clássica escalada nas estruturas de iluminação.
Terceiro Lolla
Twenty One Pilots se apresenta no Lollapalooza 2023
Rafael Leal/g1
A consagração em Interlagos veio em 2023, quando foram escalados de última hora para substituir o Blink-182. A dupla não estava sozinha em cena: baixista, tecladista, guitarrista e trompetista encorparam o som com R&B e disco music. O setlist ganhou até tributos brasileiros, como os versos de bossa nova e funk puxados pelos metais. Tyler manteve o ritual de escalar a estrutura de iluminação durante “Car Radio”, mas o brilho veio nos arranjos que provaram o salto de patamar.
Enfim, Rock in Rio
A caminhada iniciada lá em 2016 ganha um novo capítulo no dia 13 de setembro. Escalados para fechar o Rock in Rio, Tyler Joseph e Josh Dun chegam à Cidade do Rock não mais como uma aposta barulhenta ou uma aposta adolescente, mas como headliners consolidados. A dupla que começou se sentindo vulnerável com apenas dois integrantes no palco prova que a falta de fronteiras nos gêneros musicais foi o caminho mais direto para o topo do rock atual.
Twenty One Pilots, eles cresceram: como dupla virou um dos maiores nomes do rock após três Lollas



